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TEORIAS: QUE DEU ERRADO AQUI? ~ DANIEL QUINN cultura estar em si - Descobrir o que deu errado se tornou uma preocupação global. Pessoas de todas as idades estão trabalhando nesse sentido — pessoas de todas as classes sociais e econômicas, de todas as tendências políticas. Crianças de dez anos estão tentando descobrir. Sei disso porque elas conversam comigo a esse respeito. Sei disso porque já as vi […] Full view

Descobrir o que deu errado se tornou uma preocupação global. Pessoas de todas as idades estão trabalhando nesse sentido — pessoas de todas as classes sociais e econômicas, de todas as tendências políticas. Crianças de dez anos estão tentando descobrir. Sei disso porque elas conversam comigo a esse respeito. Sei disso porque já as vi pararem no meio das brincadeiras para prestar atenção a isso.

Todos os anos, um número cada vez maior de crianças nasce fora do casamento. Todos os anos aumentam o número de crianças que vivem em lares desfeitos. Todos os anos aumentam o número de crianças machucadas e espancadas por criminosos. Todos os anos aumentam o número de crianças que sofrem abusos e são assassinadas. Todos os anos aumentam o número de mulheres estupradas. Todos os anos aumentam o número de pessoas que têm medo de andar na rua à noite. Todos os anos aumentam o número de pessoas que cometem suicídio. Todos os anos aumentam o número de pessoas que se viciam em drogas e álcool. Todos os anos aumentam o número de pessoas presas como criminosas. Todos os anos aumentam o número de pessoas que acham a violência assassina e a pornografia um divertimento rotineiro. Todos os anos aumentam o número de pessoas que se imolam em cultos lunáticos, em terrorismo delirante, em explosões súbitas e incontroláveis de violência.

As teorias apresentadas para explicar essas coisas constituem em sua maior parte clichês, generalidades, truísmos e chavões. São a sabedoria destilada das eras. A gente ouve dizer, por exemplo, que a raça humana é fatal e irremediavelmente imperfeita. A gente ouve dizer que a raça humana é uma espécie de doença que Gaia acabará eliminando. A gente ouve dizer que a insaciável ganância capitalista é a culpada, ou que a tecnologia é a culpada. A gente ouve dizer que os pais são os culpados, ou as escolas, ou o rock and roll. Às vezes a gente ouve dizer que os próprios sintomas são os culpados: coisas como pobreza, opressão e injustiça, coisas como superpopulação, indiferença burocrática e corrupção política.

Essas são algumas das teorias apresentadas para explicar o que deu errado aqui. Vamos ouvir outras. A maioria delas tem de ser deduzida a partir dos remédios propostos para a cura. Em geral, esses remédios são expressos da seguinte forma: Tudo o que temos de fazer é... alguma coisa. Eleger o partido certo. Livrar-nos desse líder. Manietar os liberais. Manietar os conservadores. Promulgar leis mais rigorosas. Dar sentenças de prisão mais longas. Trazer de volta a pena de morte. Matar judeus, matar inimigos antigos, matar estrangeiros, matar alguém. Meditar. Recitar um terço. Aumentar a consciência. Evoluir para um novo plano de existência.

Eu gostaria que vocês entendessem o que estou fazendo aqui. Estou propondo uma nova teoria para explicar o que deu errado. Não é uma variante secundária, nem uma nova maquiagem para a sabedoria convencional. Estou falando de algo nunca ouvido antes, de algo inteiramente novo em nossa história intelectual. É o seguinte: estamos vivendo um colapso cultural. Exatamente o mesmo colapso que foi vivido pelos índios das planícies norteamericanas quando seu modo de vida foi destruído e eles foram amontoados em reservas. Exatamente o mesmo colapso vivido pelos inumeráveis povos aborígines dominados por nós na África, na América do Sul, na Austrália, na Nova Guiné e em outros lugares. Não importa que as circunstâncias do colapso tenham sido diferentes para eles e para nós, os resultados são os mesmos. Tanto para eles quanto para nós, em apenas algumas décadas, realidades chocantes invalidaram a nossa visão do mundo e transformaram em absurdo um destino que sempre pareceu evidente por si mesmo. Tanto para eles quanto para nós, a canção que cantamos desde o começo dos tempos morreu subitamente na nossa garganta.

O resultado foi o mesmo, tanto para eles quanto para nós — as coisas se desintegraram. Não importa se a gente mora em tendas ou em arranha-céus — as coisas se desintegram. A ordem e o sentido são substituídos pelo caos e pela confusão. As pessoas perdem a vontade de viver, tornam-se apáticas, tornam-se violentas, tornam-se suicidas e dão para beber, para consumir drogas, voltam-se para o crime. A matriz que um dia manteve tudo isso no lugar está abalada agora, e as leis, os costumes e as instituições estão caindo em desuso e desrespeito, principalmente entre os jovens, que percebem que nem os mais velhos conseguem mais ver qualquer sentido neles. E foi isso o que aconteceu aqui conosco. A rã sorriu durante dez mil anos, enquanto a água ia esquentando, esquentando, esquentando, mas, então, quando a água finalmente começou a ferver, o sorriso perdeu o sentido, porque a rã estava morta. As circunstâncias que por fim abalaram a nossa louca visão cultural, que por fim fizeram com que a nossa mitologia de auto-engrandecimento perdesse o sentido, que por fim estrangularam a nossa canção arrogante. Perdemos a nossa capacidade de acreditar que o mundo foi feito para o homem e que o homem foi feito para subjugá-lo e governá-lo. Perdemos a capacidade de acreditar que o mundo vai nos apoiar automática e inevitavelmente na nossa conquista, que vai engolir todos os venenos que pudermos gerar sem provocar qualquer estrago. Perdemos a nossa capacidade de acreditar que Deus está inequivocamente do nosso lado contra o resto da criação. Portanto, senhoras e senhores, estamos... desmoronando.

Por fim, boas notícias

Uma mulher disse-me recentemente que queria trazer uma amiga para me ouvir falar, mas a amiga disse: "Desculpe, mas não aguento mais ouvir más notícias". (Risos) Sim, é engraçado, porque vocês sabem que, por mais estranho que pareça, vocês estão aqui neste teatro ouvindo-me porque sabem sem sombra de dúvida que sou um mensageiro que traz boas notícias.

Sim, é isso mesmo, e, como sabem que é isso, vocês riem. Já estão se sentindo melhor! Tenho certeza absoluta de que estão se sentindo melhor, sabem por quê? Na verdade, é muito simples. A boa notícia é: Não somos a humanidade.

Conseguem sentir a liberação que há nessas palavras? Tentem. Vão em frente. Sussurrem-nas uns para os outros.

Não... somos... a... humanidade.

Tenho certeza de que parecem bizarras, para dizer o mínimo. Antes de nos despedirmos esta noite, gostaria que vocês entendessem por que parecem bizarras.

Não somos a humanidade

Brincar com isso é como entrar na pele de um desconhecido — toda a sua vida muda num instante!

Não somos a humanidade. Gostaria que vocês entendessem o que são essas quatro palavras. São um resumo de tudo o que foi apagado durante o Grande Esquecimento. Estou sendo absolutamente literal. No fim do Grande Esquecimento, quando os membros da nossa cultura começaram a construir a civilização a sério, essas quatro palavras eram praticamente impensáveis. De certo modo, isso foi o Grande Esquecimento: esquecemos que somos apenas uma única cultura e passamos a achar que éramos a própria humanidade.

Todos os fundamentos intelectuais e espirituais da nossa cultura foram criados por pessoas que acreditavam sem sombra de dúvida que somos a própria humanidade. Tucídides acreditava nisso. Sócrates acreditava nisso. Platão acreditava nisso. Aristóteles acreditava nisso. Ssu-ma Chien acreditava nisso. Gautama Buda acreditava nisso. Confúcio acreditava nisso. Moisés acreditava nisso. Jesus acreditava nisso. São Paulo acreditava nisso. Maomé acreditava nisso. Avicena acreditava nisso. Tomás de Aquino acreditava nisso. Copérnico acreditava nisso. Galileu e Descartes acreditavam nisso, embora provavelmente soubessem que não era bem isso. Hume, Hegel, Nietzsche, Marx, Kant, Kierkegaard, Bergson, Heidegger, Sartre e Camus — todos eles consideravam essa ideia ponto pacífico, embora certamente não lhes faltassem as informações necessárias para saberem que não era bem isso.

Mas vocês devem estar se perguntando por que seria uma notícia tão ruim se fôssemos a humanidade. Vou tentar explicar. Se fôssemos a própria humanidade, todas as coisas terríveis que dizemos sobre a humanidade seriam verdade — o que seria uma notícia muito ruim. Se fôssemos a própria humanidade, toda a nossa destrutividade não pertenceria somente a uma cultura equivocada, mas à própria humanidade — o que seria uma notícia muito ruim. Se fôssemos a própria humanidade, o fato de a nossa cultura estar condenada significaria que a humanidade está condenada — o que seria uma notícia muito ruim. Se fôssemos a própria humanidade, o fato de a nossa cultura ser inimiga da vida deste planeta significaria que a própria humanidade é inimiga da vida deste planeta — o que seria uma notícia muito ruim. Se fôssemos a própria humanidade, o fato de a nossa cultura ser abominável e deformada significaria que a própria humanidade é abominável e deformada — uma notícia muito ruim mesmo.

Oh, gema e chore, humanidade, se nós formos a humanidade! Oh, gema e chore de horror e desespero, se as criaturas miseráveis e equivocadas da nossa cultura forem a própria humanidade!

Mas não somos a humanidade, somos apenas uma cultura — uma cultura entre centenas de milhares que viveram sua visão deste planeta e cantaram sua canção — o que é uma notícia maravilhosa, até para nós!

Se fosse a humanidade que tivesse de mudar, não teríamos tido sorte. Mas, se não é a humanidade que precisa mudar, é só... nós.

O que é uma notícia muito boa.

Fiquem a meu lado, amigos. Vamos chegar lá, passo a passo, passo a passo.

Do livro A História de B  de Daniel Quinn.

TEORIAS: QUE DEU ERRADO AQUI? ~ DANIEL QUINN

Descobrir o que deu errado se tornou uma preocupação global. Pessoas de todas as idades estão trabalhando nesse sentido — pessoas de todas as classes sociais e econômicas, de todas as tendências políticas. Crianças de dez anos estão tentando descobrir. Sei disso porque elas conversam comigo a esse respeito. Sei disso porque já as vi pararem no meio das brincadeiras para prestar atenção a isso.

Todos os anos, um número cada vez maior de crianças nasce fora do casamento. Todos os anos aumentam o número de crianças que vivem em lares desfeitos. Todos os anos aumentam o número de crianças machucadas e espancadas por criminosos. Todos os anos aumentam o número de crianças que sofrem abusos e são assassinadas. Todos os anos aumentam o número de mulheres estupradas. Todos os anos aumentam o número de pessoas que têm medo de andar na rua à noite. Todos os anos aumentam o número de pessoas que cometem suicídio. Todos os anos aumentam o número de pessoas que se viciam em drogas e álcool. Todos os anos aumentam o número de pessoas presas como criminosas. Todos os anos aumentam o número de pessoas que acham a violência assassina e a pornografia um divertimento rotineiro. Todos os anos aumentam o número de pessoas que se imolam em cultos lunáticos, em terrorismo delirante, em explosões súbitas e incontroláveis de violência.

As teorias apresentadas para explicar essas coisas constituem em sua maior parte clichês, generalidades, truísmos e chavões. São a sabedoria destilada das eras. A gente ouve dizer, por exemplo, que a raça humana é fatal e irremediavelmente imperfeita. A gente ouve dizer que a raça humana é uma espécie de doença que Gaia acabará eliminando. A gente ouve dizer que a insaciável ganância capitalista é a culpada, ou que a tecnologia é a culpada. A gente ouve dizer que os pais são os culpados, ou as escolas, ou o rock and roll. Às vezes a gente ouve dizer que os próprios sintomas são os culpados: coisas como pobreza, opressão e injustiça, coisas como superpopulação, indiferença burocrática e corrupção política.

Essas são algumas das teorias apresentadas para explicar o que deu errado aqui. Vamos ouvir outras. A maioria delas tem de ser deduzida a partir dos remédios propostos para a cura. Em geral, esses remédios são expressos da seguinte forma: Tudo o que temos de fazer é… alguma coisa. Eleger o partido certo. Livrar-nos desse líder. Manietar os liberais. Manietar os conservadores. Promulgar leis mais rigorosas. Dar sentenças de prisão mais longas. Trazer de volta a pena de morte. Matar judeus, matar inimigos antigos, matar estrangeiros, matar alguém. Meditar. Recitar um terço. Aumentar a consciência. Evoluir para um novo plano de existência.

Eu gostaria que vocês entendessem o que estou fazendo aqui. Estou propondo uma nova teoria para explicar o que deu errado. Não é uma variante secundária, nem uma nova maquiagem para a sabedoria convencional. Estou falando de algo nunca ouvido antes, de algo inteiramente novo em nossa história intelectual. É o seguinte: estamos vivendo um colapso cultural. Exatamente o mesmo colapso que foi vivido pelos índios das planícies norteamericanas quando seu modo de vida foi destruído e eles foram amontoados em reservas. Exatamente o mesmo colapso vivido pelos inumeráveis povos aborígines dominados por nós na África, na América do Sul, na Austrália, na Nova Guiné e em outros lugares. Não importa que as circunstâncias do colapso tenham sido diferentes para eles e para nós, os resultados são os mesmos. Tanto para eles quanto para nós, em apenas algumas décadas, realidades chocantes invalidaram a nossa visão do mundo e transformaram em absurdo um destino que sempre pareceu evidente por si mesmo. Tanto para eles quanto para nós, a canção que cantamos desde o começo dos tempos morreu subitamente na nossa garganta.

O resultado foi o mesmo, tanto para eles quanto para nós — as coisas se desintegraram. Não importa se a gente mora em tendas ou em arranha-céus — as coisas se desintegram. A ordem e o sentido são substituídos pelo caos e pela confusão. As pessoas perdem a vontade de viver, tornam-se apáticas, tornam-se violentas, tornam-se suicidas e dão para beber, para consumir drogas, voltam-se para o crime. A matriz que um dia manteve tudo isso no lugar está abalada agora, e as leis, os costumes e as instituições estão caindo em desuso e desrespeito, principalmente entre os jovens, que percebem que nem os mais velhos conseguem mais ver qualquer sentido neles. E foi isso o que aconteceu aqui conosco. A rã sorriu durante dez mil anos, enquanto a água ia esquentando, esquentando, esquentando, mas, então, quando a água finalmente começou a ferver, o sorriso perdeu o sentido, porque a rã estava morta. As circunstâncias que por fim abalaram a nossa louca visão cultural, que por fim fizeram com que a nossa mitologia de auto-engrandecimento perdesse o sentido, que por fim estrangularam a nossa canção arrogante. Perdemos a nossa capacidade de acreditar que o mundo foi feito para o homem e que o homem foi feito para subjugá-lo e governá-lo. Perdemos a capacidade de acreditar que o mundo vai nos apoiar automática e inevitavelmente na nossa conquista, que vai engolir todos os venenos que pudermos gerar sem provocar qualquer estrago. Perdemos a nossa capacidade de acreditar que Deus está inequivocamente do nosso lado contra o resto da criação. Portanto, senhoras e senhores, estamos… desmoronando.

Por fim, boas notícias

Uma mulher disse-me recentemente que queria trazer uma amiga para me ouvir falar, mas a amiga disse: “Desculpe, mas não aguento mais ouvir más notícias”. (Risos) Sim, é engraçado, porque vocês sabem que, por mais estranho que pareça, vocês estão aqui neste teatro ouvindo-me porque sabem sem sombra de dúvida que sou um mensageiro que traz boas notícias.

Sim, é isso mesmo, e, como sabem que é isso, vocês riem. Já estão se sentindo melhor! Tenho certeza absoluta de que estão se sentindo melhor, sabem por quê? Na verdade, é muito simples. A boa notícia é: Não somos a humanidade.

Conseguem sentir a liberação que há nessas palavras? Tentem. Vão em frente. Sussurrem-nas uns para os outros.

Não… somos… a… humanidade.

Tenho certeza de que parecem bizarras, para dizer o mínimo. Antes de nos despedirmos esta noite, gostaria que vocês entendessem por que parecem bizarras.

Não somos a humanidade

Brincar com isso é como entrar na pele de um desconhecido — toda a sua vida muda num instante!

Não somos a humanidade. Gostaria que vocês entendessem o que são essas quatro palavras. São um resumo de tudo o que foi apagado durante o Grande Esquecimento. Estou sendo absolutamente literal. No fim do Grande Esquecimento, quando os membros da nossa cultura começaram a construir a civilização a sério, essas quatro palavras eram praticamente impensáveis. De certo modo, isso foi o Grande Esquecimento: esquecemos que somos apenas uma única cultura e passamos a achar que éramos a própria humanidade.

Todos os fundamentos intelectuais e espirituais da nossa cultura foram criados por pessoas que acreditavam sem sombra de dúvida que somos a própria humanidade. Tucídides acreditava nisso. Sócrates acreditava nisso. Platão acreditava nisso. Aristóteles acreditava nisso. Ssu-ma Chien acreditava nisso. Gautama Buda acreditava nisso. Confúcio acreditava nisso. Moisés acreditava nisso. Jesus acreditava nisso. São Paulo acreditava nisso. Maomé acreditava nisso. Avicena acreditava nisso. Tomás de Aquino acreditava nisso. Copérnico acreditava nisso. Galileu e Descartes acreditavam nisso, embora provavelmente soubessem que não era bem isso. Hume, Hegel, Nietzsche, Marx, Kant, Kierkegaard, Bergson, Heidegger, Sartre e Camus — todos eles consideravam essa ideia ponto pacífico, embora certamente não lhes faltassem as informações necessárias para saberem que não era bem isso.

Mas vocês devem estar se perguntando por que seria uma notícia tão ruim se fôssemos a humanidade. Vou tentar explicar. Se fôssemos a própria humanidade, todas as coisas terríveis que dizemos sobre a humanidade seriam verdade — o que seria uma notícia muito ruim. Se fôssemos a própria humanidade, toda a nossa destrutividade não pertenceria somente a uma cultura equivocada, mas à própria humanidade — o que seria uma notícia muito ruim. Se fôssemos a própria humanidade, o fato de a nossa cultura estar condenada significaria que a humanidade está condenada — o que seria uma notícia muito ruim. Se fôssemos a própria humanidade, o fato de a nossa cultura ser inimiga da vida deste planeta significaria que a própria humanidade é inimiga da vida deste planeta — o que seria uma notícia muito ruim. Se fôssemos a própria humanidade, o fato de a nossa cultura ser abominável e deformada significaria que a própria humanidade é abominável e deformada — uma notícia muito ruim mesmo.

Oh, gema e chore, humanidade, se nós formos a humanidade! Oh, gema e chore de horror e desespero, se as criaturas miseráveis e equivocadas da nossa cultura forem a própria humanidade!

Mas não somos a humanidade, somos apenas uma cultura — uma cultura entre centenas de milhares que viveram sua visão deste planeta e cantaram sua canção — o que é uma notícia maravilhosa, até para nós!

Se fosse a humanidade que tivesse de mudar, não teríamos tido sorte. Mas, se não é a humanidade que precisa mudar, é só… nós.

O que é uma notícia muito boa.

Fiquem a meu lado, amigos. Vamos chegar lá, passo a passo, passo a passo.

Do livro A História de B  de Daniel Quinn.

Por: shakyamuni

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