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RUMI: O MESTRE DA POESIA MÍSTICA rumi (1) – Cópia - Por: Osvaldo Condé Filho A verdade está mais próxima do homem que a veia jugular. Ditado Sufi Ele nasceu em Balk – atual Afeganistão – em 30 de setembro de 1207 da nossa era, e seu corpo como crisálida abandonada repousa em Konyana Turquia, pois sua psiquê (borboleta/alma) voou em direção a Luz (Nur) de onde na […] Full view

Por: Osvaldo Condé Filho

A verdade está mais próxima do homem que a veia jugular. Ditado Sufi

Ele nasceu em Balk - atual Afeganistão - em 30 de setembro de 1207 da nossa era, e seu corpo como crisálida abandonada repousa em Konyana Turquia, pois sua psiquê (borboleta/alma) voou em direção a Luz (Nur) de onde na verdade nunca se separou...

Ao falar no “nosso mestre" (Mawlana), digo nosso pois ele não tinha "proprietário", não "pertencia" somente aos discípulos e ou admiradores persas, gregos, turcos, árabes, cristãos ou muçulmanos, a admiração não deixa de mobilizar-nos, mesmo tanto séculos depois.

O poeta e escritor mais vendido nos Estados Unidos em 1999 e cujo 800 anos de nascimento foi comemorado pela Unesco em 2007 não escrevia em inglês e sim em persa. Justamente a língua, paradoxalmente, de um dos maiores inimigos políticos do EUA dos dias de hoje (2011) o Irã.

Mawlana Jalal-ad-Din Muhamad Rumi (1207/1273) conhecido por Rumi, ou seja, "o romano" por ter vivido a maior parte de sua vida na região da Anatólia, que fez parte do império de Bizâncio, é considerado o maior poeta de língua persa, fundador/inspirador da Ordem Mevlevi (dos Derviches rodopiantes).

Foi um pensador original que tendo atingido o ápice do conhecimento intelectual redescobriu a sabedoria do coração através da Baraka (benção) de seu mestre maior “Shams de Tabriz". Um grande poeta persa e mestre sufi (mestre do esoterismo islâmico).
Farid Attar que conheceu Rumi em criança disse sobre ele:

"Esse menino acenderá o fogo da exaltação divina no mundo"

Rumi peregrinou por Bagdá, Meca, Síria e Ásia Menor, conhecendo muitos mestres de então, aos 40 anos assumiu a liderança deixada pelo pai Baha Walade começou então a pregar publicamente. Por volta dessa ocasião tinha mais de 10 mil seguidores e discípulos, séculos antes do "Twitter™"...

Sua obra literária é vasta, sendo a mais conhecida o “Masnavi"- Ditos espirituais - em seis volumes, considerado o Alcorão persa, que se inicia com o famoso poema da flauta (feita de caniço) que chora de saudades do "canavial" de onde foi arrancada para ser transformada em instrumento musical, a Ney (Flauta turco/árabe) simbolicamente representa alma humana que chora o afastamento de Deus.

Escuta a flauta (Ney) que lamenta e tenta narrar a história do desterro. Desde que fui arrancada da minha raiz, meu lamento tem deixado homens e mulheres em profundo desespero. Aquele que abandonou sua Origem, procura por uma oportunidade para regressar.


O Masnavi foi concluído em 43 anos; a sua recitação em persa, dizem, produz fascínio e exaltação nos ouvintes. Os sufis, e Rumi em especial, conheciam a ciência da influência do som nas pessoas e nos animais, de maneira tal que Rumi codificou as formas de utilização do som e da música e do movimento (dança giratória) como instrumento de desenvolvimento espiritual.

"Muitos dizem que a vida entrou no corpo pelo auxílio da música, mas a vida é música em si." Hafiz, Sufi persa 1325/1390

O Sama ou Sema, audição de música sagrada é uma prática tradicional Sufi, na qual são recitadas poesias simbólicas, bem como um ou vários dos 99 nomes de Deus( Allah) e louvações ao profeta Mohamed (A paz esteja com ele) ao seu genro Ali e a outros mestres da tradição.

No Paquistão o nome formal para uma sessão de música sagrada é Refil-e-Sama popularmente conhecido como Qawwaly, cujo maior expoente recente é Nusrat Father Ali Khan e sua família. A audição de música sagrada tem um enorme efeito transformador tal como os Bajas (cânticos devocionais indianos) ou os mantras da tradição hindu/budistas.

Para se ouvir um Sama deve-se possuir uma "condição" adequada: é preciso ouvir com a Alma ou com o coração. Lamentavelmente a maior parte das pessoas só consegue ouvir com a natureza humana guiada pelos “Nafs”, ou seja, com os impulsos imperiosos, os desejos.

As letras dessas músicas especiais bem como das poesias nos comunicam através de metáforas do conhecimento sagrado, da Gnose, "Marifat" que o iniciado atinge após uma longa peregrinação ou viagem no "Vale da busca" que é a vida.

Uma dessas canções fala da beleza de uma mulher que encantava e fascinava todos que sobre ela pousavam os olhos:

David quando a viu caiu de amores,
Salomão ficou deslumbrado,
Jesus apaixonado e até o profeta
Mohamed (Maomé) não pôde lhe resistir...

E assim continua a letra da música que no final revela o nome dessa donzela tão ardentemente desejada: Sabedoria!

O sistema desenvolvido por Rumi, baseado em sua experiência pessoal e convívio com muitos dos grandes mestres de sua época abrangem os seguintes aspectos: explicação detalhada, treinamento mental, reflexão, meditação, ação e inação, trabalho, além de música, da dança e de movimento corporal. Ele desenvolveu um método para colocar o discípulo em contato com a "corrente mística" e ser por ela transformado.

No sufismo a transmissão do conhecimento espiritual é feita através da Silsilah (corrente de transmissão de conhecimento, passada de mestre a mestre) onde não só as técnicas meditativas importam, mas em especial a transmissão das bênçãos do mestre (Baraka) são passadas. Para Rumi (assim como outros mestres) conhecimento intelectual não é tão relevante quanto o amor...

O Véu da Luz é mais perigoso do que o véu da Escuridão, produzido na mente pelo vício. 
A compreensão só pode chegar pelo amor, e não pelo treinamento por meio de métodos organizacionais.

E ainda em um dos seus inúmeros poemas reafirma:

No caminho do intelecto a criança se torna velho;já avia do amor faz do velho uma criança.

A mecanicidade tão criticada por Gurdjieff  já era alvo das setas certeiras do poeta e mestre Rumi:

O homem é um feixe de condicionamentos, ideias fixas, pré-conceitos, respostas automáticas ocorridas através de treinamento alheios...

O homem vivendo em baixos estados de consciência, afastado de sua origem sagrada, como a cana/flauta do canavial original é envenenado por seus "Nafs" (paixões), tal como o homem que adormeceu com a boca aberta e engoliu uma serpente e não sabia. É preciso que surja um cavaleiro que, do alto do cavalo/corpo, chicoteie o adormecido (consciência) para que ele acorde e vomite a serpente/impulso/desejo.

Não havia tempo para explicações, só o ato destemido de quem domina o animal em si mesmo, e detém a benção (Baraka) o conhecimento/sabedoria (Marifat) recebido em uma escola espiritual (Tarika), por uma linhagem de mestres (Silsilah) é que pode quebrar o encanto do adormecimento da consciência. Mas sempre cabe ao discípulo dar o primeiro passo na direção do mestre.

Um dia regressou e postou-se em frente à casa do amigo.
Bateu de novo à porta, tomado de reverência e temores, cheio de cuidados.
- Quem está aí? - Gritou o amigo. 
- Tu, ó encantador de corações!
- Agora! -Disse o amigo.
- Desde que tu és eu, entra: Não há lugar para dois eus nesta casa.

Rumi na poesia "O amigo que disse "eu".

Ao falecer, em 17 de dezembro de 1273, o cortejo de Rumi foi seguido por milhares de pessoas de todas as religiões, demonstrando assim que mesmo em morte o seu amor universal e sem distinções podia unir os contrários em um belo mosaico de admiração espiritual.

RUMI: O MESTRE DA POESIA MÍSTICA

Por: Osvaldo Condé Filho

A verdade está mais próxima do homem que a veia jugular. Ditado Sufi

Ele nasceu em Balk – atual Afeganistão – em 30 de setembro de 1207 da nossa era, e seu corpo como crisálida abandonada repousa em Konyana Turquia, pois sua psiquê (borboleta/alma) voou em direção a Luz (Nur) de onde na verdade nunca se separou…

Ao falar no “nosso mestre” (Mawlana), digo nosso pois ele não tinha “proprietário”, não “pertencia” somente aos discípulos e ou admiradores persas, gregos, turcos, árabes, cristãos ou muçulmanos, a admiração não deixa de mobilizar-nos, mesmo tanto séculos depois.

O poeta e escritor mais vendido nos Estados Unidos em 1999 e cujo 800 anos de nascimento foi comemorado pela Unesco em 2007 não escrevia em inglês e sim em persa. Justamente a língua, paradoxalmente, de um dos maiores inimigos políticos do EUA dos dias de hoje (2011) o Irã.

Mawlana Jalal-ad-Din Muhamad Rumi (1207/1273) conhecido por Rumi, ou seja, “o romano” por ter vivido a maior parte de sua vida na região da Anatólia, que fez parte do império de Bizâncio, é considerado o maior poeta de língua persa, fundador/inspirador da Ordem Mevlevi (dos Derviches rodopiantes).

Foi um pensador original que tendo atingido o ápice do conhecimento intelectual redescobriu a sabedoria do coração através da Baraka (benção) de seu mestre maior “Shams de Tabriz”. Um grande poeta persa e mestre sufi (mestre do esoterismo islâmico).
Farid Attar que conheceu Rumi em criança disse sobre ele:

“Esse menino acenderá o fogo da exaltação divina no mundo”

Rumi peregrinou por Bagdá, Meca, Síria e Ásia Menor, conhecendo muitos mestres de então, aos 40 anos assumiu a liderança deixada pelo pai Baha Walade começou então a pregar publicamente. Por volta dessa ocasião tinha mais de 10 mil seguidores e discípulos, séculos antes do “Twitter™”…

Sua obra literária é vasta, sendo a mais conhecida o “Masnavi”- Ditos espirituais – em seis volumes, considerado o Alcorão persa, que se inicia com o famoso poema da flauta (feita de caniço) que chora de saudades do “canavial” de onde foi arrancada para ser transformada em instrumento musical, a Ney (Flauta turco/árabe) simbolicamente representa alma humana que chora o afastamento de Deus.

Escuta a flauta (Ney) que lamenta e tenta narrar a história do desterro. Desde que fui arrancada da minha raiz, meu lamento tem deixado homens e mulheres em profundo desespero. Aquele que abandonou sua Origem, procura por uma oportunidade para regressar.

O Masnavi foi concluído em 43 anos; a sua recitação em persa, dizem, produz fascínio e exaltação nos ouvintes. Os sufis, e Rumi em especial, conheciam a ciência da influência do som nas pessoas e nos animais, de maneira tal que Rumi codificou as formas de utilização do som e da música e do movimento (dança giratória) como instrumento de desenvolvimento espiritual.

“Muitos dizem que a vida entrou no corpo pelo auxílio da música, mas a vida é música em si.” Hafiz, Sufi persa 1325/1390

O Sama ou Sema, audição de música sagrada é uma prática tradicional Sufi, na qual são recitadas poesias simbólicas, bem como um ou vários dos 99 nomes de Deus( Allah) e louvações ao profeta Mohamed (A paz esteja com ele) ao seu genro Ali e a outros mestres da tradição.

No Paquistão o nome formal para uma sessão de música sagrada é Refil-e-Sama popularmente conhecido como Qawwaly, cujo maior expoente recente é Nusrat Father Ali Khan e sua família. A audição de música sagrada tem um enorme efeito transformador tal como os Bajas (cânticos devocionais indianos) ou os mantras da tradição hindu/budistas.

Para se ouvir um Sama deve-se possuir uma “condição” adequada: é preciso ouvir com a Alma ou com o coração. Lamentavelmente a maior parte das pessoas só consegue ouvir com a natureza humana guiada pelos “Nafs”, ou seja, com os impulsos imperiosos, os desejos.

As letras dessas músicas especiais bem como das poesias nos comunicam através de metáforas do conhecimento sagrado, da Gnose, “Marifat” que o iniciado atinge após uma longa peregrinação ou viagem no “Vale da busca” que é a vida.

Uma dessas canções fala da beleza de uma mulher que encantava e fascinava todos que sobre ela pousavam os olhos:

David quando a viu caiu de amores,
Salomão ficou deslumbrado,
Jesus apaixonado e até o profeta
Mohamed (Maomé) não pôde lhe resistir…

E assim continua a letra da música que no final revela o nome dessa donzela tão ardentemente desejada: Sabedoria!

O sistema desenvolvido por Rumi, baseado em sua experiência pessoal e convívio com muitos dos grandes mestres de sua época abrangem os seguintes aspectos: explicação detalhada, treinamento mental, reflexão, meditação, ação e inação, trabalho, além de música, da dança e de movimento corporal. Ele desenvolveu um método para colocar o discípulo em contato com a “corrente mística” e ser por ela transformado.

No sufismo a transmissão do conhecimento espiritual é feita através da Silsilah (corrente de transmissão de conhecimento, passada de mestre a mestre) onde não só as técnicas meditativas importam, mas em especial a transmissão das bênçãos do mestre (Baraka) são passadas. Para Rumi (assim como outros mestres) conhecimento intelectual não é tão relevante quanto o amor…

O Véu da Luz é mais perigoso do que o véu da Escuridão, produzido na mente pelo vício. 
A compreensão só pode chegar pelo amor, e não pelo treinamento por meio de métodos organizacionais.

E ainda em um dos seus inúmeros poemas reafirma:

No caminho do intelecto a criança se torna velho;já avia do amor faz do velho uma criança.

A mecanicidade tão criticada por Gurdjieff  já era alvo das setas certeiras do poeta e mestre Rumi:

O homem é um feixe de condicionamentos, ideias fixas, pré-conceitos, respostas automáticas ocorridas através de treinamento alheios…

O homem vivendo em baixos estados de consciência, afastado de sua origem sagrada, como a cana/flauta do canavial original é envenenado por seus “Nafs” (paixões), tal como o homem que adormeceu com a boca aberta e engoliu uma serpente e não sabia. É preciso que surja um cavaleiro que, do alto do cavalo/corpo, chicoteie o adormecido (consciência) para que ele acorde e vomite a serpente/impulso/desejo.

Não havia tempo para explicações, só o ato destemido de quem domina o animal em si mesmo, e detém a benção (Baraka) o conhecimento/sabedoria (Marifat) recebido em uma escola espiritual (Tarika), por uma linhagem de mestres (Silsilah) é que pode quebrar o encanto do adormecimento da consciência. Mas sempre cabe ao discípulo dar o primeiro passo na direção do mestre.

Um dia regressou e postou-se em frente à casa do amigo.
Bateu de novo à porta, tomado de reverência e temores, cheio de cuidados.
– Quem está aí? – Gritou o amigo. 
– Tu, ó encantador de corações!
– Agora! -Disse o amigo.
– Desde que tu és eu, entra: Não há lugar para dois eus nesta casa.

Rumi na poesia “O amigo que disse “eu”.

Ao falecer, em 17 de dezembro de 1273, o cortejo de Rumi foi seguido por milhares de pessoas de todas as religiões, demonstrando assim que mesmo em morte o seu amor universal e sem distinções podia unir os contrários em um belo mosaico de admiração espiritual.

Por: shakyamuni

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