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OS RELACIONAMENTOS E A ILUMINAÇÃO: ADYASHANTI E SEU TOQUE DE MESTRE A couple in love in the sunset on the beach - Quando consideramos o tema do relacionamento, é importante que não limitemos nossa consideração somente ao relacionamento entre seres humanos, mas que o alarguemos para incluir nosso relacionamento com a vida toda. Do limitado ponto de vista do ego, o relacionamento é sempre entre dois objetos – entre um “eu” pessoal e alguma outra coisa além […] Full view

Quando consideramos o tema do relacionamento, é importante que não limitemos nossa consideração somente ao relacionamento entre seres humanos, mas que o alarguemos para incluir nosso relacionamento com a vida toda. Do limitado ponto de vista do ego, o relacionamento é sempre entre dois objetos – entre um “eu” pessoal e alguma outra coisa além de mim. É desse ponto de vista limitado que a maioria dos seres humanos começa a considerar o que seja um relacionamento iluminado. Contudo, para descobrirmos o que é um relacionamento iluminado, é imperativo que se questione o que é a realidade do ego como entidade separada. Pois, enquanto percebermos o nosso eu como sendo um ego separado, o relacionamento iluminado com os outros e com a vida como um todo permanecerá uma impossibilidade. P: Quando penso no meu relacionamento com a vida, acho que quero evitar os desafios quotidianos. Minha esperança é que, quando eu me iluminar, a vida será mais fácil para mim. A: Se quiseres ser livre, não podes te esconder de nada. Muitos buscadores espirituais usam práticas como meios de evitar muitos aspectos de si mesmos. O problema com isso é que, enquanto tu estiveres evitando alguma coisa, não estarás vivendo na verdade. Estarás evitando a verdade. Ninguém jamais se iluminou por evitar a verdade. Se quiseres ser livre, deves encarar a ti mesmo e encarar a vida como ela é. Não uses a espiritualidade ou experiências espirituais como algo para te esconderes por trás. Enquanto estiveres evitando partes de ti mesmo ou da vida em geral, então mesmo experiências e revelações espirituais muito profundas terão em ti muito pouco efeito permanente. Não apenas busques transcender a vida, mas dá-te conta de que tu és toda a Vida. Tu és a própria Vida. P: Qual é a relação certa a se ter com as experiências espirituais?  A: O que é importante com as experiências espirituais é como tu te relacionas com elas. Duas pessoas podem se relacionar com a mesma experiência de maneiras muito diferentes. Uma pode libertar-se em consequência de uma experiência espiritual profunda, enquanto outra se prenderá a velhos hábitos de condicionamento, apego e ego. Tudo depende da tua prontidão e disposição de te abandonares ao Desconhecido e viveres a partir dessa situação preciosa e misteriosa. A questão é: Será que estás pronto a desistir de tudo quando Deus vier bater à tua porta? Essa disposição de te abandornares completamente e te renderes ao divino determina quão livre por fim te tornarás. O que quer que retiveres para ti mesmo será a tua prisão. Meu conselho é que entregues todo o teu coração, mente, corpo e alma à Graça quando ela chegar. Pergunta-te agora: Estou pronto? P: Existe essa coisa de um relacionamento íntimo dar apoio ao outro conscientemente rumo à liberdade? A: Se por "apoio" queres dizer "encorajar a liberdade no outro", então esta é a própria essência de uma relação embasada na Liberdade. Contudo, muitos buscam apoio nos relacionamentos como compensação para a sua própria falta de determinação e dedicação à Verdade. Essa dependência, mascarada como apoio, é algo que muitos buscadores espirituais pedem a seus parceiro(a)s, porque ainda não o encontraram dentro de si mesmos. O apoio, enquanto relacionado à Verdade, é mais como uma mão que se mantém aberta na qual alguém pode se expor, se quiser. Não é compensação. O relacionamento baseado na Verdade, o que significa um relacionamento livre de dependências e exigências, está centrado na celebração. É uma união mútua por nenhum outro motivo senão estar juntos. A investigação profunda da pergunta "Quem é o outro?" pode levar à vivência direta de que o outro é o nosso próprio Ser - que de fato não existe o outro. Contudo, tenho visto que, para a maioria dos buscadores, mesmo essa revelação vivencial não basta para transformar a maneira dolorosa de eles se relacionarem. Para chegar a essa transformação profunda, é preciso uma investigação muito profunda das implicações intrínsecas à revelação vivencial de que não existe o outro. É na vivência diária dessas implicações que fracassam muitos buscadores. Por quê? Porque, fundamentalmente, a maioria das pessoas quer manter-se separada e no controle. Simplificando, a maioria das pessoas quer continuar sonhando que são especiais, únicas e separadas. Querem permanecer separadas mais do que querem acordar para a unidade perfeita de um Desconhecido que não deixa espaço para nenhuma separação do todo. Enquanto perceberes que alguém está te refreando, não estarás assumindo responsabilidade total pela tua própria libertação. Libertação significa que tu te sustentas livre de fazer exigências aos outros e à vida para seres feliz. Quando descobres que tu mesmo nada mais és do que Liberdade, paras de impor condições e exigências que precisem ser satisfeitas para seres feliz. É no abandono total de todas as condições e exigências que se descobre que a Libertação é quem ou o que tu És. Então, o amor e a sabedoria que fluem de ti têm um efeito libertador sobre os outros. P: Será que temos a responsabilidade de expor as falhas um do outro a fim de auxiliar no crescimento e superação dos pontos cegos?  A: Muita gente pensa que o propósito do relacionamento é trabalhar suas "neuras", mas eu acho que não é para isso que servem os relacionamentos. Acho que trabalhares tuas "neuras" é tarefa própria tua, não do relacionamento. Tu é que te trabalhas. Estás sozinho(a) na descoberta da Verdade, na descoberta do Bem-Amado. Isso cabe a ti. Quando tiveres clareza sobre isso, o relacionamento poderá florescer. Se isso não estiver claro, vocês sempre estarão usando um ao outro para trabalharem suas "neuras" e vocês se tornarão duas ferramentas: Eu te mostro o teu lixo, tu me mostras o meu e nós fazemos de conta que isso é uma coisa boa. Despertar para a verdade da Unidade significa despertar do sonho de um 'eu' pessoal e de 'outros' pessoais, para a constatação de que não existe o outro. Muitos buscadores espirituais tiveram vislumbres da Unidade absoluta de toda a existência, mas poucos são capazes de, ou estão dispostos a, cumprir as várias implicações desafiadoras inerentes a essa revelação. A revelação da Unidade, de que não existe o outro, é a constatação da máxima natureza impessoal de tudo quanto pareça ser tão pessoal. Aplicar essa constatação ao âmbito das relações pessoais é algo que a maioria dos buscadores acha extremamente desafiador. Este é o motivo número um pelo qual tantos buscadores nunca chegam a repousar completamente na liberdade do Ser Absoluto. Adyashanti - Tradução de Francisco Darshano

OS RELACIONAMENTOS E A ILUMINAÇÃO: ADYASHANTI E SEU TOQUE DE MESTRE

Quando consideramos o tema do relacionamento, é importante que não limitemos nossa consideração somente ao relacionamento entre seres humanos, mas que o alarguemos para incluir nosso relacionamento com a vida toda. Do limitado ponto de vista do ego, o relacionamento é sempre entre dois objetos – entre um “eu” pessoal e alguma outra coisa além de mim. É desse ponto de vista limitado que a maioria dos seres humanos começa a considerar o que seja um relacionamento iluminado. Contudo, para descobrirmos o que é um relacionamento iluminado, é imperativo que se questione o que é a realidade do ego como entidade separada. Pois, enquanto percebermos o nosso eu como sendo um ego separado, o relacionamento iluminado com os outros e com a vida como um todo permanecerá uma impossibilidade.

P: Quando penso no meu relacionamento com a vida, acho que quero evitar os desafios quotidianos. Minha esperança é que, quando eu me iluminar, a vida será mais fácil para mim.

A: Se quiseres ser livre, não podes te esconder de nada. Muitos buscadores espirituais usam práticas como meios de evitar muitos aspectos de si mesmos. O problema com isso é que, enquanto tu estiveres evitando alguma coisa, não estarás vivendo na verdade. Estarás evitando a verdade. Ninguém jamais se iluminou por evitar a verdade. Se quiseres ser livre, deves encarar a ti mesmo e encarar a vida como ela é. Não uses a espiritualidade ou experiências espirituais como algo para te esconderes por trás. Enquanto estiveres evitando partes de ti mesmo ou da vida em geral, então mesmo experiências e revelações espirituais muito profundas terão em ti muito pouco efeito permanente. Não apenas busques transcender a vida, mas dá-te conta de que tu és toda a Vida. Tu és a própria Vida.

P: Qual é a relação certa a se ter com as experiências espirituais? 

A: O que é importante com as experiências espirituais é como tu te relacionas com elas. Duas pessoas podem se relacionar com a mesma experiência de maneiras muito diferentes. Uma pode libertar-se em consequência de uma experiência espiritual profunda, enquanto outra se prenderá a velhos hábitos de condicionamento, apego e ego. Tudo depende da tua prontidão e disposição de te abandonares ao Desconhecido e viveres a partir dessa situação preciosa e misteriosa. A questão é: Será que estás pronto a desistir de tudo quando Deus vier bater à tua porta? Essa disposição de te abandornares completamente e te renderes ao divino determina quão livre por fim te tornarás. O que quer que retiveres para ti mesmo será a tua prisão. Meu conselho é que entregues todo o teu coração, mente, corpo e alma à Graça quando ela chegar. Pergunta-te agora: Estou pronto?

P: Existe essa coisa de um relacionamento íntimo dar apoio ao outro conscientemente rumo à liberdade?

A: Se por “apoio” queres dizer “encorajar a liberdade no outro”, então esta é a própria essência de uma relação embasada na Liberdade. Contudo, muitos buscam apoio nos relacionamentos como compensação para a sua própria falta de determinação e dedicação à Verdade. Essa dependência, mascarada como apoio, é algo que muitos buscadores espirituais pedem a seus parceiro(a)s, porque ainda não o encontraram dentro de si mesmos. O apoio, enquanto relacionado à Verdade, é mais como uma mão que se mantém aberta na qual alguém pode se expor, se quiser. Não é compensação. O relacionamento baseado na Verdade, o que significa um relacionamento livre de dependências e exigências, está centrado na celebração. É uma união mútua por nenhum outro motivo senão estar juntos.

A investigação profunda da pergunta “Quem é o outro?” pode levar à vivência direta de que o outro é o nosso próprio Ser – que de fato não existe o outro. Contudo, tenho visto que, para a maioria dos buscadores, mesmo essa revelação vivencial não basta para transformar a maneira dolorosa de eles se relacionarem.

Para chegar a essa transformação profunda, é preciso uma investigação muito profunda das implicações intrínsecas à revelação vivencial de que não existe o outro. É na vivência diária dessas implicações que fracassam muitos buscadores. Por quê? Porque, fundamentalmente, a maioria das pessoas quer manter-se separada e no controle. Simplificando, a maioria das pessoas quer continuar sonhando que são especiais, únicas e separadas. Querem permanecer separadas mais do que querem acordar para a unidade perfeita de um Desconhecido que não deixa espaço para nenhuma separação do todo.

Enquanto perceberes que alguém está te refreando, não estarás assumindo responsabilidade total pela tua própria libertação. Libertação significa que tu te sustentas livre de fazer exigências aos outros e à vida para seres feliz. Quando descobres que tu mesmo nada mais és do que Liberdade, paras de impor condições e exigências que precisem ser satisfeitas para seres feliz. É no abandono total de todas as condições e exigências que se descobre que a Libertação é quem ou o que tu És. Então, o amor e a sabedoria que fluem de ti têm um efeito libertador sobre os outros.

P: Será que temos a responsabilidade de expor as falhas um do outro a fim de auxiliar no crescimento e superação dos pontos cegos? 

A: Muita gente pensa que o propósito do relacionamento é trabalhar suas “neuras”, mas eu acho que não é para isso que servem os relacionamentos. Acho que trabalhares tuas “neuras” é tarefa própria tua, não do relacionamento. Tu é que te trabalhas. Estás sozinho(a) na descoberta da Verdade, na descoberta do Bem-Amado. Isso cabe a ti. Quando tiveres clareza sobre isso, o relacionamento poderá florescer. Se isso não estiver claro, vocês sempre estarão usando um ao outro para trabalharem suas “neuras” e vocês se tornarão duas ferramentas: Eu te mostro o teu lixo, tu me mostras o meu e nós fazemos de conta que isso é uma coisa boa.

Despertar para a verdade da Unidade significa despertar do sonho de um ‘eu’ pessoal e de ‘outros’ pessoais, para a constatação de que não existe o outro. Muitos buscadores espirituais tiveram vislumbres da Unidade absoluta de toda a existência, mas poucos são capazes de, ou estão dispostos a, cumprir as várias implicações desafiadoras inerentes a essa revelação. A revelação da Unidade, de que não existe o outro, é a constatação da máxima natureza impessoal de tudo quanto pareça ser tão pessoal. Aplicar essa constatação ao âmbito das relações pessoais é algo que a maioria dos buscadores acha extremamente desafiador. Este é o motivo número um pelo qual tantos buscadores nunca chegam a repousar completamente na liberdade do Ser Absoluto.

Adyashanti – Tradução de Francisco Darshano

Por: shakyamuni

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