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O VÍCIO DA RECLAMAÇÃO – DR. FLÁVIO GICOVATE 77DA1F9A7C93B23B8E61FEBAF399_h450_w598_m2_q90_cAsjOjivo - Nos mais de 30 anos que atendo pacientes em minha clínica, percebi que há pessoas para as quais ser feliz é cultuar a infelicidade; os apelidei de viciados em infelicidade, já que para eles a infelicidade é uma droga, que, paradoxalmente, os deixa felizes. Estas pessoas não entendem nem enxergam a felicidade nas pequenas coisas […] Full view

Nos mais de 30 anos que atendo pacientes em minha clínica, percebi que há pessoas para as quais ser feliz é cultuar a infelicidade; os apelidei de viciados em infelicidade, já que para eles a infelicidade é uma droga, que, paradoxalmente, os deixa felizes. Estas pessoas não entendem nem enxergam a felicidade nas pequenas coisas diárias, nem mesmo nos grandes acontecimentos; Haja o problema que houver, leve, médio ou grande, ele sempre sobrepuja o que está bom, provocando a sensação de infelicidade. Estas pessoas também têm, por característica, mitigar os grandes acontecimentos que geram felicidade imediata (como a compra de uma casa própria, o nascimento de um filho ou outros), de maneira a deixar espaço para o culto aos problemas, de qualquer medida ou tamanho. O viciado em infelicidade vitimiza-se sempre e imputa aos outros suas mazelas. É incapaz de passar por cima dos problemas da vida e resolvê-los em definitivo; Enxerga seus problemas como os maiores de todos, como o centro do mundo. Não considera o que está bom (saúde, situação financeira, entes queridos, amigos, marido ou mulher dedicado, o que for) e foca somente no problema, justificando sua infelicidade crônica para assim, à sua moda, ser feliz. O campo de ação do viciado em infelicidade é farto, pois nunca a vida de ninguém esta um perfeito mar de rosas. Assim existe matéria-prima de sobra para estes propagarem aos quatro ventos sua total infelicidade. Mesmo quando não há problemas relevantes, o viciado em infelicidade sai à caça; remexe o passado, provoca confusões e até mesmo encena doenças ou situações para que possa reclamar de si, de sua má sorte, da vida, dos outros e dizer o quanto é maltratado, azarado e infeliz. A razão de agir assim é a necessidade de chamar a atenção; vitimizando-se, o viciado em infelicidade sente-se como eterno injustiçado e lamenta a felicidade que nunca chega, esperando atenção total dos outros que, ao se solidarizarem com ele, o tornam feliz. Dentro de minha classificação de generosos e egoístas (que tenho explorado em meus livros mais recentes, dizendo que ambos no fundo estão errados), o viciado em infelicidade se classifica na segunda categoria. Espera sempre dos outros o que não dá. E quanto mais recebe, mais espera. E mais reclama das injustiças que sofre. Dr. Flavio Gikovate, psicanalista, na introdução de seu programa "No divâ do Gikovate" veiculado na rádio CNB, no dia 07 de Novembro de 2010.

O VÍCIO DA RECLAMAÇÃO – DR. FLÁVIO GICOVATE

Nos mais de 30 anos que atendo pacientes em minha clínica, percebi que há pessoas para as quais ser feliz é cultuar a infelicidade; os apelidei de viciados em infelicidade, já que para eles a infelicidade é uma droga, que, paradoxalmente, os deixa felizes.

Estas pessoas não entendem nem enxergam a felicidade nas pequenas coisas diárias, nem mesmo nos grandes acontecimentos; Haja o problema que houver, leve, médio ou grande, ele sempre sobrepuja o que está bom, provocando a sensação de infelicidade. Estas pessoas também têm, por característica, mitigar os grandes acontecimentos que geram felicidade imediata (como a compra de uma casa própria, o nascimento de um filho ou outros), de maneira a deixar espaço para o culto aos problemas, de qualquer medida ou tamanho.




O viciado em infelicidade vitimiza-se sempre e imputa aos outros suas mazelas. É incapaz de passar por cima dos problemas da vida e resolvê-los em definitivo; Enxerga seus problemas como os maiores de todos, como o centro do mundo. Não considera o que está bom (saúde, situação financeira, entes queridos, amigos, marido ou mulher dedicado, o que for) e foca somente no problema, justificando sua infelicidade crônica para assim, à sua moda, ser feliz.

O campo de ação do viciado em infelicidade é farto, pois nunca a vida de ninguém esta um perfeito mar de rosas. Assim existe matéria-prima de sobra para estes propagarem aos quatro ventos sua total infelicidade. Mesmo quando não há problemas relevantes, o viciado em infelicidade sai à caça; remexe o passado, provoca confusões e até mesmo encena doenças ou situações para que possa reclamar de si, de sua má sorte, da vida, dos outros e dizer o quanto é maltratado, azarado e infeliz.

A razão de agir assim é a necessidade de chamar a atenção; vitimizando-se, o viciado em infelicidade sente-se como eterno injustiçado e lamenta a felicidade que nunca chega, esperando atenção total dos outros que, ao se solidarizarem com ele, o tornam feliz.




Dentro de minha classificação de generosos e egoístas (que tenho explorado em meus livros mais recentes, dizendo que ambos no fundo estão errados), o viciado em infelicidade se classifica na segunda categoria. Espera sempre dos outros o que não dá. E quanto mais recebe, mais espera. E mais reclama das injustiças que sofre.

Dr. Flavio Gikovate, psicanalista, na introdução de seu programa “No divâ do Gikovate” veiculado na rádio CNB, no dia 07 de Novembro de 2010.

Por: shakyamuni

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