Revista eletrônica de divulgação holística. Artigos, crônicas e parábolas de abordagens científicas e espirituais. Um portal de acesso para o autoconhecimento, a meditação e a consciência de viver com plenitude no aqui e no agora.
O PESO PARALISANTE DOS JULGAMENTOS julgamentos estar em si - Não é pequeno o impacto que os julgamentos recebidos durante a infância acabam tendo sobre os mais diversos aspectos de nossa vida. A auto-estima ferida, a perda da espontaneidade, a busca incessante pela aprovação são algumas das consequências desse processo de desrespeito à individualidade da criança, aponta o texto da terapeuta holística Rachel N. Remen. […] Full view

Não é pequeno o impacto que os julgamentos recebidos durante a infância acabam tendo sobre os mais diversos aspectos de nossa vida. A auto-estima ferida, a perda da espontaneidade, a busca incessante pela aprovação são algumas das consequências desse processo de desrespeito à individualidade da criança, aponta o texto da terapeuta holística Rachel N. Remen.

A vida em nós é reduzida, com muito mais frequência, pelo julgamento do que pela doença. O julgamento que fazemos sobre nós mesmos ou sobre as outras pessoas pode sufocar nossa força vital, nossa espontaneidade e nossa expressão natural. Infelizmente, o julgamento é algo muito comum. É tão raro encontrar alguém que nos ame do jeito que somos quanto encontrar alguém que ame a si mesmo plenamente.

O julgamento não assume apenas a forma de crítica. A aprovação também é uma forma de julgamento. Quando aprovamos uma pessoa, fazemos um julgamento sobre ela, assim como quando a criticamos. O julgamento positivo magoa menos do que a crítica, mas não deixa de ser um julgamento, e somos prejudicados por ele de maneiras muito mais sutis. Buscar a aprovação é não ter um lugar de descanso, um santuário, Assim como todos os julgamentos, a aprovação instiga um empenho constante. Ele nos deixa incertos quanto a quem somos e qual o nosso valor real. Isso vale tanto para a aprovação que damos a nós mesmos quanto para a que oferecemos aos outros. Não se pode confiar na aprovação. Ela pode ser retirada em qualquer momento, não importa qual tenha sido nosso desempenho passado. É um nutriente tão benéfico para o verdadeiro crescimento quanto o algodão-doce. E, mesmo assim, muitos de nós passamos a vida em sua busca.

Padrões de aceitabilidade

Algumas pessoas passam um tempo enorme pensando na impressão criada por suas palavras e seus comportamento, verificando como seu desempenho afetará os ouvintes, sempre representando em função da aprovação. Outras abrem um pequeno espaço entre seus pensamentos e suas palavras que lhes permite dizer apenas o que acham que agradará aos outros. Muita energia é gasta nesse processo de consertar e reverter a nós mesmos. Podemos inclusive, acabar admirando em nós o que é admirado, esperando o que é esperado e valorizando o que é valorizado pelos outros. Mudamos e nos transformamos em alguém que as pessoas que são importantes para nós possam amar. Às vezes deixamos de saber o que é verdadeiro  para nós, em que direção está nossa integridade ou totalidade.

Abrimos mão de nossa integridade por várias razões. Entre as mais imperiosas estão nossas idéias quanto ao que é ser uma boa pessoa. Às vezes, não é a aprovação dos outros, mas de uma escola ou de  um mentor espiritual que determinam que parte de nós conservamos e que parte escondemos. O eu natural, uma interação viva e complexa de características aparentemente opostas, vai diminuindo pouco a pouco, suplantando por algum padrão adquirido de aceitabilidade social e espiritual. Poucas pessoas são capazes de amar a si mesmas como realmente são. Talvez até tenhamos passado a sentir vergonha de nossa integridade.

A estratégia dos esporos

Partes de nós que talvez tenhamos escondido durante toda a vida, por vergonha, com frequência, são a fonte de nossa cura. Todos fomos ensinados que alguns de nossos modos de ser não condizem com o ponto de vista e os valores comuns da sociedade ou da família em que nascemos. Quando nos dizem que "homem não chora", que "as damas nunca discordam de ninguém", aprendemos a evitar o julgamento renunciando aos nossos sentimentos e pontos de vista. Nós nos fazemos menos inteiros. É tipicamente humano trocar integridade por aprovação. Contudo, as partes que repudiamos não são perdidas, apenas esquecidas. Podemos lembrar nossa integridade a qualquer momento. Ao escondê-la, nós a mantivemos em segurança.

Uma das manifestações mais impressionantes da força da vida é encontrada no reino vegetal. Quando os tempos são difíceis e não é possível encontrar o necessário para florescer, certas plantas transformam-se em esporos. Essas plantas refreiam-se e isolam sua força vital para sobreviver. É uma estratégia eficaz. Esporos encontrados em múmias, esporos de milhares de anos, desenvolveram-se e se transformaram em plantas quando lhes foi dada a oportunidade de nutrir-se.

Esquecendo a integridade

Quando ninguém ouve, as crianças formam esporos. Em um ambiente hostil ao seu caráter único, quando elas são julgadas, criticadas e remodeladas por meio de aprovação, transformando-se naquilo que é desejado em vez de receberem apoio e permissão para evoluírem naturalmente conforme o que são, as crianças isolam as partes de si mesmas que não são amadas. As pessoas podem tornar-se esporos quando jovens e assim permanecer a maior parte de suas vidas. Mas um esporo é uma estratégia de sobrevivência, não um modo de vida. Esporos não crescem. Eles perduram. O que você precisa fazer para sobreviver pode ser muito diferente daquilo que precisa fazer para viver.

Os esporos das plantas são oportunistas. A força da vida está à espera deles, sondando o ambiente, procurando a primeira oportunidade para florescer. Mas as pessoas podem esquecer-se de que tornar-se um esporo é apenas uma estratégia temporária. Poucas examinam o ambiente, como fazem os esporos das plantas, para ver se as condições para florescer e recuperar sua integridade. Muitos de nós ainda escondemos aquelas partes que eram inaceitáveis para nossos pais e professores, muito embora os pais tenham deixado de existir há muito tempo e, com eles, seu mundo.

No mundo da minha infância, os meninos nunca choravam. Os que o faziam eram maricas. Evidentemente, supúnhamos que todas as meninas eram maricas. O mundo em que vivemos hoje proporciona muito mais oportunidades de expressão, mas podemos ainda viver nele como se fosse o terreno hostil de nossa infância. O mais triste é que talvez tenhamos nos esquecido como é ser inteiro. Como é sentir e chorar, como é tomar a iniciativa e ter opinião própria.

Resgatando a auto-estima

Recuperar a nós mesmos em geral significa reconhecer e aceitar que temos em nós os dois lados de todas as coisas. Somos capazes de ter medo e coragem, de sermos generosos e egoístas, vulneráveis e fortes. Essas coisas não nos cancelam mutuamente, e nos oferecem todo um espectro de poder e resposta à vida. A vida é tão complexa quanto nós. Às vezes, nossa vulnerabilidade é nossa força: nosso medo transforma-se em coragem e nosso sofrimento é o caminho para a integridade. Não é um mundo em que uma coisa exclui a outra. É um mundo real. Ao nos considerarmos "cara" ou "coroa", podemos nunca possuir e gastar nossa moeda humana, o ouro puro de que ela é feita.

Mas o julgamento pode corrigir-se com o tempo. Uma das bençãos de ficar mais velha é a descoberta de que muitas das coisas que eu antes acreditava serem meus pontos fracos transformaram-se, no longo prazo, em meus pontos fortes, e outras coisas das quais eu sentia um orgulho indevido acabaram por revela-se pontos fracos. Coisas que durante anos escondi dos outros mostraram-se para mim o esteio e a riqueza da meia-idade. Que benção é durar mais que nossos autoajustamentos e acolher nossos defeitos!.

Rachel N, Remen - em História que Curam - conversas sábias ao pé do fogão (Ed. Ágora).

Edição: Shakyamuni

O PESO PARALISANTE DOS JULGAMENTOS

Não é pequeno o impacto que os julgamentos recebidos durante a infância acabam tendo sobre os mais diversos aspectos de nossa vida. A auto-estima ferida, a perda da espontaneidade, a busca incessante pela aprovação são algumas das consequências desse processo de desrespeito à individualidade da criança, aponta o texto da terapeuta holística Rachel N. Remen.

A vida em nós é reduzida, com muito mais frequência, pelo julgamento do que pela doença. O julgamento que fazemos sobre nós mesmos ou sobre as outras pessoas pode sufocar nossa força vital, nossa espontaneidade e nossa expressão natural. Infelizmente, o julgamento é algo muito comum. É tão raro encontrar alguém que nos ame do jeito que somos quanto encontrar alguém que ame a si mesmo plenamente.

O julgamento não assume apenas a forma de crítica. A aprovação também é uma forma de julgamento. Quando aprovamos uma pessoa, fazemos um julgamento sobre ela, assim como quando a criticamos. O julgamento positivo magoa menos do que a crítica, mas não deixa de ser um julgamento, e somos prejudicados por ele de maneiras muito mais sutis. Buscar a aprovação é não ter um lugar de descanso, um santuário, Assim como todos os julgamentos, a aprovação instiga um empenho constante. Ele nos deixa incertos quanto a quem somos e qual o nosso valor real. Isso vale tanto para a aprovação que damos a nós mesmos quanto para a que oferecemos aos outros. Não se pode confiar na aprovação. Ela pode ser retirada em qualquer momento, não importa qual tenha sido nosso desempenho passado. É um nutriente tão benéfico para o verdadeiro crescimento quanto o algodão-doce. E, mesmo assim, muitos de nós passamos a vida em sua busca.

Padrões de aceitabilidade

Algumas pessoas passam um tempo enorme pensando na impressão criada por suas palavras e seus comportamento, verificando como seu desempenho afetará os ouvintes, sempre representando em função da aprovação. Outras abrem um pequeno espaço entre seus pensamentos e suas palavras que lhes permite dizer apenas o que acham que agradará aos outros. Muita energia é gasta nesse processo de consertar e reverter a nós mesmos. Podemos inclusive, acabar admirando em nós o que é admirado, esperando o que é esperado e valorizando o que é valorizado pelos outros. Mudamos e nos transformamos em alguém que as pessoas que são importantes para nós possam amar. Às vezes deixamos de saber o que é verdadeiro  para nós, em que direção está nossa integridade ou totalidade.

Abrimos mão de nossa integridade por várias razões. Entre as mais imperiosas estão nossas idéias quanto ao que é ser uma boa pessoa. Às vezes, não é a aprovação dos outros, mas de uma escola ou de  um mentor espiritual que determinam que parte de nós conservamos e que parte escondemos. O eu natural, uma interação viva e complexa de características aparentemente opostas, vai diminuindo pouco a pouco, suplantando por algum padrão adquirido de aceitabilidade social e espiritual. Poucas pessoas são capazes de amar a si mesmas como realmente são. Talvez até tenhamos passado a sentir vergonha de nossa integridade.

A estratégia dos esporos

Partes de nós que talvez tenhamos escondido durante toda a vida, por vergonha, com frequência, são a fonte de nossa cura. Todos fomos ensinados que alguns de nossos modos de ser não condizem com o ponto de vista e os valores comuns da sociedade ou da família em que nascemos. Quando nos dizem que “homem não chora”, que “as damas nunca discordam de ninguém”, aprendemos a evitar o julgamento renunciando aos nossos sentimentos e pontos de vista. Nós nos fazemos menos inteiros. É tipicamente humano trocar integridade por aprovação. Contudo, as partes que repudiamos não são perdidas, apenas esquecidas. Podemos lembrar nossa integridade a qualquer momento. Ao escondê-la, nós a mantivemos em segurança.

Uma das manifestações mais impressionantes da força da vida é encontrada no reino vegetal. Quando os tempos são difíceis e não é possível encontrar o necessário para florescer, certas plantas transformam-se em esporos. Essas plantas refreiam-se e isolam sua força vital para sobreviver. É uma estratégia eficaz. Esporos encontrados em múmias, esporos de milhares de anos, desenvolveram-se e se transformaram em plantas quando lhes foi dada a oportunidade de nutrir-se.

Esquecendo a integridade

Quando ninguém ouve, as crianças formam esporos. Em um ambiente hostil ao seu caráter único, quando elas são julgadas, criticadas e remodeladas por meio de aprovação, transformando-se naquilo que é desejado em vez de receberem apoio e permissão para evoluírem naturalmente conforme o que são, as crianças isolam as partes de si mesmas que não são amadas. As pessoas podem tornar-se esporos quando jovens e assim permanecer a maior parte de suas vidas. Mas um esporo é uma estratégia de sobrevivência, não um modo de vida. Esporos não crescem. Eles perduram. O que você precisa fazer para sobreviver pode ser muito diferente daquilo que precisa fazer para viver.

Os esporos das plantas são oportunistas. A força da vida está à espera deles, sondando o ambiente, procurando a primeira oportunidade para florescer. Mas as pessoas podem esquecer-se de que tornar-se um esporo é apenas uma estratégia temporária. Poucas examinam o ambiente, como fazem os esporos das plantas, para ver se as condições para florescer e recuperar sua integridade. Muitos de nós ainda escondemos aquelas partes que eram inaceitáveis para nossos pais e professores, muito embora os pais tenham deixado de existir há muito tempo e, com eles, seu mundo.

No mundo da minha infância, os meninos nunca choravam. Os que o faziam eram maricas. Evidentemente, supúnhamos que todas as meninas eram maricas. O mundo em que vivemos hoje proporciona muito mais oportunidades de expressão, mas podemos ainda viver nele como se fosse o terreno hostil de nossa infância. O mais triste é que talvez tenhamos nos esquecido como é ser inteiro. Como é sentir e chorar, como é tomar a iniciativa e ter opinião própria.

Resgatando a auto-estima

Recuperar a nós mesmos em geral significa reconhecer e aceitar que temos em nós os dois lados de todas as coisas. Somos capazes de ter medo e coragem, de sermos generosos e egoístas, vulneráveis e fortes. Essas coisas não nos cancelam mutuamente, e nos oferecem todo um espectro de poder e resposta à vida. A vida é tão complexa quanto nós. Às vezes, nossa vulnerabilidade é nossa força: nosso medo transforma-se em coragem e nosso sofrimento é o caminho para a integridade. Não é um mundo em que uma coisa exclui a outra. É um mundo real. Ao nos considerarmos “cara” ou “coroa“, podemos nunca possuir e gastar nossa moeda humana, o ouro puro de que ela é feita.

Mas o julgamento pode corrigir-se com o tempo. Uma das bençãos de ficar mais velha é a descoberta de que muitas das coisas que eu antes acreditava serem meus pontos fracos transformaram-se, no longo prazo, em meus pontos fortes, e outras coisas das quais eu sentia um orgulho indevido acabaram por revela-se pontos fracos. Coisas que durante anos escondi dos outros mostraram-se para mim o esteio e a riqueza da meia-idade. Que benção é durar mais que nossos autoajustamentos e acolher nossos defeitos!.

Rachel N, Remen – em História que Curam – conversas sábias ao pé do fogão (Ed. Ágora).

Edição: Shakyamuni

Por: shakyamuni

Deixe um comentário