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O PESO JUSTO DAS COISAS prem - Por:  Jose Antonio Pinotti Voou areia no ventilador. Para não dizer coisa pior. Com a chegada do escândalo do Prem Baba à revista Época, a grande sociedade, que nem sabia do que se tratava seu movimento, está se posicionando. Claro que de uma maneira parcial e preconceituosa. Será que ele vai sair no Fantástico? Kkkk. As […] Full view

Por:  Jose Antonio Pinotti

Voou areia no ventilador. Para não dizer coisa pior. Com a chegada do escândalo do Prem Baba à revista Época, a grande sociedade, que nem sabia do que se tratava seu movimento, está se posicionando. Claro que de uma maneira parcial e preconceituosa. Será que ele vai sair no Fantástico? Kkkk. As notícias encontram ressonância no universo de cada um. Ele já é repudiado pelas feministas, que reagem instintivamente a qualquer menção de abuso contra a mulher. Também é apedrejado pelos anti-capitalistas só porque ficou rico. É odiado pelos céticos, porque se posicionava como líder espiritual. E pelos puritanos e conservadores porque lidava com a sexualidade e com substâncias psicoativas. Certamente é apreciado pela mídia, que é quem mais lucra com escândalos. Não sou contra nem a favor de guru nenhum, só não compactuo com mentiras e ignorância.

Tudo isto pode ter um lado construtivo e um lado distorcido. Simplesmente defender ou atacá-lo sem entender o que aconteceu torna-se superficial. Como o pronunciamento do Roberto Shiniashiki, que não tem nada a ver com a história, mas que fez um discurso meio coerente e meio equivocado em defesa da categoria dos “mestres” espirituais. A parte coerente foi a não necessidade de vibrar na energia do ódio e da retaliação, a não necessidade de seguir as massas em um apedrejamento coletivo alienado. Por outro lado o caminhar espiritual não significa tornar-se zumbis do amor universal. Engolir passivamente incoerências dos oportunistas para parecer espiritualizado. Como seres humanos podemos sim sentir raiva e indignação, podemos clamar por justiça. Só não devemos de ser massa de manobra, aderindo às reações daqueles que têm meias informações, pois aí deixa-se de ser manipulado por um guru e passa-se a ser manipulado por outra área da sociedade ou pela mídia.

A priori Janderson seria um Swami e um Shaman, um líder espiritual dentro de tradições hinduístas e de tradições indígenas. Só escrevo este texto por uma questão de legitimidade, pois estes são meus caminhos há muito tempo. Não é uma questão de opinião pessoal, mas sim de coerência de alguém que conhece estas trilhas, que viveu intensamente nestes universos, na Índia e nas tribos das selvas. Janderson nunca foi um mestre hinduísta, não conhece sânscrito nem as escrituras. Sua passagem pelo Sachcha Ashram foi breve e seu contato com seu líder foi mínimo. Se este não tivesse morrido, seria o primeiro a repudiar toda esta confusão. Após a passagem do guru, o Ashram ficou sem sucessor e ele oportunamente entitulou-se ungido para tal. Como direcionou dinheiro para este Ashram de Rishikesh, foi por algum tempo tolerado e logo depois repudiado. A base da sua pregação nunca teve nada a ver com o Vedanta, o Hinduísmo clássico praticado neste Ashram. Era muito mais uma cópia dos discursos de Osho Rajneesh. A mensagem de Osho era lindíssima, mas estava mais próxima do Budismo e Sufismo do que do hinduísmo. Osho mesmo sendo indiano nunca apreciou o caos, a alienação e precariedade da Índia. As linhas indianas mais próximas da abordagem filosófica de Osho eram o Advaita e o Tantrismo, linhas Shivaístas não devocionais, que não eram a abordagem do Sachcha Ashram. Ou seja, o seu pretenso “berço” espiritual e seu mestre não tinham nada a ver com seu discurso. Meditar não tem nada a ver com beijar as frieiras dos pés do mestre. Qualquer um com conhecimentos mínimos de Hinduísmo sabe que não dá para ser ao mesmo tempo Shivaísta e Vaishnava.

Em segundo lugar, Janderson não tem nada a ver com o shamanismo. É hilário como ele se declarava ex-shaman, mas continuava a recorrer às plantas de poder em rituais secretos, talvez por esta linha ser menos lucrativa e sujeita a preconceitos do grande público, porém muito útil para manipular seguidores. Ele foi sim um condutor de rituais do Santo Daime, uma linha fusion cabocla-africana-católica que recorre às medicinas dos índios para rituais religiosos e doutrinários, com todo o maniqueísmo cristão. E sempre que precisam dar uma fortalecida nos seus rituais acabam recorrendo aos indígenas, que são muito mais leves, sem pregações ou dogmas. Mas o fato é que as medicinas indígenas são mesmo sensacionais, capazes de promover uma grande conexão espiritual. Mas infelizmente elas podem virar ferramentas de grupos religiosos interessados em angariar seguidores fazendo doutrinações. Já o verdadeiro shamanismo é a mais antiga manifestação espiritual do planeta, que é baseada nos estados alterados de consciência, com ou sem o uso de substâncias, para integrar o homem ao seu Eu superior, através da conexão com elementos da natureza. Como provém de povos indígenas, não fazem parte deste caminho rituais repetitivos e padronizados, regras, hierarquias e submissão a líderes religiosos, muito menos doutrinas, dogmas ou veneração a divindades. Mesmo quando realizado em grupo, existe uma independência na busca da sua própria verdade, a jornada é sempre individual. É uma conexão direta, sem necessidade de intermediários cobrando pedágios.

Na verdade Prem Baba é apenas um emPREMsário, como bem colocado na revista Época, um dono de lojinha esotérica e clínica alternativa, sua real origem. Não muito diferente dos donos da rádio mundial, ou de vendedores de simpatias e mandingas. Só que muito esperto, pois percebeu que estes negócios eram limitados, mas podiam ser trampolins para alçar vôos maiores. Um comerciante da fé que se legitimou como líder espiritual, não muito diferente do Bispo Macedo. Mas assim como o Macedinho, ele entregava coisas concretas e até chegou a ajudar muita gente. Toda mentira para “pegar” tem que ter uma base de verdade. E um artigo mais do que aceito é a Teologia da Prosperidade e da Felicidade. Pare de sofrer e ligue djá. Ambos embora por marketing tentem vestir uma roupagem mais exótica, de hinduísmo ou judaísmo, no fundo mantém um discurso muito cristão, para administrar a culpa e o medo de sua clientela. Claro que estes líderes são úteis para uma parcela da população (e muito bem remunerados por isto). Porém não adianta odiá-los, porque continuarão existindo enquanto houver freguesia para eles. O vigarista é criado pela necessidade do trouxa. Mas eles deveriam ser vistos apenas como uma etapa, uma porta para momentos de necessidades, que a seguir deveria perder o sentido, impulsionando uma busca maior. Desta forma não adianta nada ficar traumatizado com eles e estancar sua caminhada. E é claro que eles não tem nada de burros nem ingênuos, mas sim aproveitadores com segundas intenções, verdadeiros predadores, valendo-se da fragilidade das suas vítimas. Mas na selva tem de tudo, de borboletas a onças, e todos têm a sua utilidade e sua beleza diante de uma lógica maior. Assim devemos aprender a lidar com cada um desses seres de formas diferentes, sem ignorar suas peculiaridades.

Acho que o pior de tudo nem é o abuso, sexual, financeiro, psicológico e espiritual. O pior é o trauma que fica. Às vezes pior do que o corte é a cicatriz. A vítima que torna-se cética ou cínica, que perde a doçura e a confiança, fechando-se para as oportunidades da Existência. Dias, anos ou encarnações perdidas, engessadas por uma mágoa generalizada contra qualquer forma de conexão espiritual. Do fundo do meu coração, espero que ninguém fique travado nisto. Claro que este processo é uma violência contra as pessoas, uma infração ao princípio mais fundamental do hinduísmo chamado Ahimsa. Porém que seja também um aprendizado, uma oportunidade para continuar seguindo seu Sadhana, seu caminho pessoal, desta vez com menos ilusões. Sorria, poderia ser pior, poderia ser com o Jim Jones. Mas também poderia ser melhor e devemos plantar sementes hoje para que este futuro mais brilhante ocorra.

Será que ao longo dos milênios, de centenas de encarnações sendo explorados por líderes sociais, políticos e religiosos ainda não aprendemos nada ? Por que a maioria das pessoas ainda continua infantilizada em busca de um Grande Pai amparador ? Que preguiça e submissão são estas que fazem com que, ao invés de procurar a própria verdade, acabar comprando a verdade pronta dos outros ? Seguidores religiosos e militantes políticos são a mesmíssima coisa, seres que colocam sobre líderes poderes mágicos para resolverem suas vidas. Tornam-se cegos e fundamentalistas, acreditando na verdade absoluta e reagindo com violência contra qualquer questionamento disto. E mais cedo ou mais tarde obviamente acabam se decepcionando. Mas será que a vida é assim tão injusta ? Ou crianças que repetem de ano precisam ser estimuladas por aprendizados cada vez mais intensos ? Como disse Buddha, a dor é fato, mas o sofrimento é somente uma interpretação da sua mente...

O PESO JUSTO DAS COISAS

Por:  Jose Antonio Pinotti

Voou areia no ventilador. Para não dizer coisa pior. Com a chegada do escândalo do Prem Baba à revista Época, a grande sociedade, que nem sabia do que se tratava seu movimento, está se posicionando. Claro que de uma maneira parcial e preconceituosa. Será que ele vai sair no Fantástico? Kkkk. As notícias encontram ressonância no universo de cada um. Ele já é repudiado pelas feministas, que reagem instintivamente a qualquer menção de abuso contra a mulher. Também é apedrejado pelos anti-capitalistas só porque ficou rico. É odiado pelos céticos, porque se posicionava como líder espiritual. E pelos puritanos e conservadores porque lidava com a sexualidade e com substâncias psicoativas. Certamente é apreciado pela mídia, que é quem mais lucra com escândalos. Não sou contra nem a favor de guru nenhum, só não compactuo com mentiras e ignorância.

Tudo isto pode ter um lado construtivo e um lado distorcido. Simplesmente defender ou atacá-lo sem entender o que aconteceu torna-se superficial. Como o pronunciamento do Roberto Shiniashiki, que não tem nada a ver com a história, mas que fez um discurso meio coerente e meio equivocado em defesa da categoria dos “mestres” espirituais. A parte coerente foi a não necessidade de vibrar na energia do ódio e da retaliação, a não necessidade de seguir as massas em um apedrejamento coletivo alienado. Por outro lado o caminhar espiritual não significa tornar-se zumbis do amor universal. Engolir passivamente incoerências dos oportunistas para parecer espiritualizado. Como seres humanos podemos sim sentir raiva e indignação, podemos clamar por justiça. Só não devemos de ser massa de manobra, aderindo às reações daqueles que têm meias informações, pois aí deixa-se de ser manipulado por um guru e passa-se a ser manipulado por outra área da sociedade ou pela mídia.

A priori Janderson seria um Swami e um Shaman, um líder espiritual dentro de tradições hinduístas e de tradições indígenas. Só escrevo este texto por uma questão de legitimidade, pois estes são meus caminhos há muito tempo. Não é uma questão de opinião pessoal, mas sim de coerência de alguém que conhece estas trilhas, que viveu intensamente nestes universos, na Índia e nas tribos das selvas. Janderson nunca foi um mestre hinduísta, não conhece sânscrito nem as escrituras. Sua passagem pelo Sachcha Ashram foi breve e seu contato com seu líder foi mínimo. Se este não tivesse morrido, seria o primeiro a repudiar toda esta confusão. Após a passagem do guru, o Ashram ficou sem sucessor e ele oportunamente entitulou-se ungido para tal. Como direcionou dinheiro para este Ashram de Rishikesh, foi por algum tempo tolerado e logo depois repudiado. A base da sua pregação nunca teve nada a ver com o Vedanta, o Hinduísmo clássico praticado neste Ashram. Era muito mais uma cópia dos discursos de Osho Rajneesh. A mensagem de Osho era lindíssima, mas estava mais próxima do Budismo e Sufismo do que do hinduísmo. Osho mesmo sendo indiano nunca apreciou o caos, a alienação e precariedade da Índia. As linhas indianas mais próximas da abordagem filosófica de Osho eram o Advaita e o Tantrismo, linhas Shivaístas não devocionais, que não eram a abordagem do Sachcha Ashram. Ou seja, o seu pretenso “berço” espiritual e seu mestre não tinham nada a ver com seu discurso. Meditar não tem nada a ver com beijar as frieiras dos pés do mestre. Qualquer um com conhecimentos mínimos de Hinduísmo sabe que não dá para ser ao mesmo tempo Shivaísta e Vaishnava.

Em segundo lugar, Janderson não tem nada a ver com o shamanismo. É hilário como ele se declarava ex-shaman, mas continuava a recorrer às plantas de poder em rituais secretos, talvez por esta linha ser menos lucrativa e sujeita a preconceitos do grande público, porém muito útil para manipular seguidores. Ele foi sim um condutor de rituais do Santo Daime, uma linha fusion cabocla-africana-católica que recorre às medicinas dos índios para rituais religiosos e doutrinários, com todo o maniqueísmo cristão. E sempre que precisam dar uma fortalecida nos seus rituais acabam recorrendo aos indígenas, que são muito mais leves, sem pregações ou dogmas. Mas o fato é que as medicinas indígenas são mesmo sensacionais, capazes de promover uma grande conexão espiritual. Mas infelizmente elas podem virar ferramentas de grupos religiosos interessados em angariar seguidores fazendo doutrinações. Já o verdadeiro shamanismo é a mais antiga manifestação espiritual do planeta, que é baseada nos estados alterados de consciência, com ou sem o uso de substâncias, para integrar o homem ao seu Eu superior, através da conexão com elementos da natureza. Como provém de povos indígenas, não fazem parte deste caminho rituais repetitivos e padronizados, regras, hierarquias e submissão a líderes religiosos, muito menos doutrinas, dogmas ou veneração a divindades. Mesmo quando realizado em grupo, existe uma independência na busca da sua própria verdade, a jornada é sempre individual. É uma conexão direta, sem necessidade de intermediários cobrando pedágios.

Na verdade Prem Baba é apenas um emPREMsário, como bem colocado na revista Época, um dono de lojinha esotérica e clínica alternativa, sua real origem. Não muito diferente dos donos da rádio mundial, ou de vendedores de simpatias e mandingas. Só que muito esperto, pois percebeu que estes negócios eram limitados, mas podiam ser trampolins para alçar vôos maiores. Um comerciante da fé que se legitimou como líder espiritual, não muito diferente do Bispo Macedo. Mas assim como o Macedinho, ele entregava coisas concretas e até chegou a ajudar muita gente. Toda mentira para “pegar” tem que ter uma base de verdade. E um artigo mais do que aceito é a Teologia da Prosperidade e da Felicidade. Pare de sofrer e ligue djá. Ambos embora por marketing tentem vestir uma roupagem mais exótica, de hinduísmo ou judaísmo, no fundo mantém um discurso muito cristão, para administrar a culpa e o medo de sua clientela. Claro que estes líderes são úteis para uma parcela da população (e muito bem remunerados por isto). Porém não adianta odiá-los, porque continuarão existindo enquanto houver freguesia para eles. O vigarista é criado pela necessidade do trouxa. Mas eles deveriam ser vistos apenas como uma etapa, uma porta para momentos de necessidades, que a seguir deveria perder o sentido, impulsionando uma busca maior. Desta forma não adianta nada ficar traumatizado com eles e estancar sua caminhada. E é claro que eles não tem nada de burros nem ingênuos, mas sim aproveitadores com segundas intenções, verdadeiros predadores, valendo-se da fragilidade das suas vítimas. Mas na selva tem de tudo, de borboletas a onças, e todos têm a sua utilidade e sua beleza diante de uma lógica maior. Assim devemos aprender a lidar com cada um desses seres de formas diferentes, sem ignorar suas peculiaridades.

Acho que o pior de tudo nem é o abuso, sexual, financeiro, psicológico e espiritual. O pior é o trauma que fica. Às vezes pior do que o corte é a cicatriz. A vítima que torna-se cética ou cínica, que perde a doçura e a confiança, fechando-se para as oportunidades da Existência. Dias, anos ou encarnações perdidas, engessadas por uma mágoa generalizada contra qualquer forma de conexão espiritual. Do fundo do meu coração, espero que ninguém fique travado nisto. Claro que este processo é uma violência contra as pessoas, uma infração ao princípio mais fundamental do hinduísmo chamado Ahimsa. Porém que seja também um aprendizado, uma oportunidade para continuar seguindo seu Sadhana, seu caminho pessoal, desta vez com menos ilusões. Sorria, poderia ser pior, poderia ser com o Jim Jones. Mas também poderia ser melhor e devemos plantar sementes hoje para que este futuro mais brilhante ocorra.

Será que ao longo dos milênios, de centenas de encarnações sendo explorados por líderes sociais, políticos e religiosos ainda não aprendemos nada ? Por que a maioria das pessoas ainda continua infantilizada em busca de um Grande Pai amparador ? Que preguiça e submissão são estas que fazem com que, ao invés de procurar a própria verdade, acabar comprando a verdade pronta dos outros ? Seguidores religiosos e militantes políticos são a mesmíssima coisa, seres que colocam sobre líderes poderes mágicos para resolverem suas vidas. Tornam-se cegos e fundamentalistas, acreditando na verdade absoluta e reagindo com violência contra qualquer questionamento disto. E mais cedo ou mais tarde obviamente acabam se decepcionando. Mas será que a vida é assim tão injusta ? Ou crianças que repetem de ano precisam ser estimuladas por aprendizados cada vez mais intensos ? Como disse Buddha, a dor é fato, mas o sofrimento é somente uma interpretação da sua mente…

Por: shakyamuni

1 Comentários

  • Uau, que clareza de pensamento! Me identifiquei muito, levantou questionamentos que faço ao observar essa mesma questao! “Que o budismo seja o veículo pra atravessar o rio, travessia feita, abandona-o” nao lembro a citacao exata, mas a essencia é essa..

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