Revista eletrônica de divulgação holística. Artigos, crônicas e parábolas de abordagens científicas e espirituais. Um portal de acesso para o autoconhecimento, a meditação e a consciência de viver com plenitude no aqui e no agora.
CO-DEPENDÊNCIA: ENTENDA O QUE É mada-dentro - Todos nós estamos muito acostumados com a palavra dependência/independência. Sabemos ou temos ideia do seu significado e as formas que ela se manifesta. Uma pessoa pode se mostrar dependente de outra, emocional e financeiramente. Pode se mostrar dependente de drogas, bebidas. Pode se mostrar dependente de remédios. Enfim, são várias as formas com que a […] Full view

Todos nós estamos muito acostumados com a palavra dependência/independência. Sabemos ou temos ideia do seu significado e as formas que ela se manifesta. Uma pessoa pode se mostrar dependente de outra, emocional e financeiramente. Pode se mostrar dependente de drogas, bebidas. Pode se mostrar dependente de remédios. Enfim, são várias as formas com que a dependência pode se manifestar. E na maioria dos casos, praticamente todas as atenções e cuidados se voltam para a pessoa dependente. Os cuidados e preocupações familiares, de cônjuges, amigos. Os cuidados médicos, terapêuticos, todos estão concentrados no membro sintomático. Geralmente, a pessoa que apresenta algum tipo de problema é considerada o sintoma daquela família ou daquele grupo. E todos os cuidados se voltam para ela. E tem sido assim até hoje. Mas de um tempo para cá, a partir das décadas de 60 e 70, algo de estranho começou a ser percebido nas pessoas que convivem com esses membros sintomáticos. Primeiramente, com as pessoas próximas de dependentes químicos. Os especialistas começaram a aperceber que essas pessoas (parentes, cônjuges, filhos, etc.) apresentavam comportamentos muito semelhantes às pessoas que tinham e conviviam com o mesmo tipo de problema. E passaram a voltar sua atenção e seus estudos também para essas pessoas próximas. Eles perceberam que não somente as pessoas que conviviam com dependentes químicos apresentavam esses problemas. Quem convivia com pessoas com problemas compulsivos como jogar, comer demais, desvios sexuais, etc., apresentavam o mesmo tipo de comportamento ou reação a esses distúrbios. E a compreensão dessa situação foi aumentando. E à medida que a percepção e compreensão dessa questão aumentavam, mais grupos de pessoas pareciam possuí-la: filhos adultos de alcoólicos, pessoas que se relacionavam com outras emocional ou mentalmente perturbadas, pessoas em relacionamento com doentes crônicos, pais de crianças com problemas de comportamento, pessoas em relacionamento com pessoas irresponsáveis, enfermeiros, assistentes sociais, e outros profissionais em ajuda a outras pessoas. Até mesmo alcoólicos e viciados em recuperação notaram que eles mesmos apresentavam esses problemas e talvez os apresentassem antes mesmo de se tornarem dependentes químicos. Um denominador razoavelmente comum, já mencionado anteriormente, era ter-se um relacionamento, pessoal ou profissional, com pessoas perturbadas. Mas um segundo e mais freqüente denominador comum parecia ser as regras silenciosas e não escritas que geralmente se desenvolvem na família próxima e estabelecem o ritmo dos relacionamentos. Essas regras proíbem: a discussão dos problemas; as expressões abertas de sentimentos; comunicação honesta e direta; expectativas realistas, como a de ser humano, vulnerável ou imperfeito; confiar em outras pessoas e em si mesmo; brincar e divertir-se; e balançar o barco familiar, tão fragilmente equilibrado, através de crescimento ou mudança, por mais saudável ou benéfico que esse movimento possa ser. Mas, afinal, que problemas eram esses que essas pessoas próximas de membros sintomáticos apresentavam e em que se consistiam? O problema que essas pessoas apresentavam foi chamado de co-dependência e quem o apresentava passou a ser conhecido como co-dependente. E se consistia no desenvolvimento de um padrão de lidar com a vida que não era saudável em reação aos problemas apresentados por outras pessoas (abuso do álcool, ou drogas, desvios sexuais, comedores compulsivos, etc.). A co-dependência envolve os efeitos que essas pessoas problemáticas têm sobre nós, e como, em retorno, tentamos afetar a elas. Esse termo, co-dependência, surgiu no meio terapêutico, mais precisamente no Estado de Minessotta, conhecido como referência no tratamento de dependentes químicos. É um jargão terapêutico, talvez conhecido apenas nesse meio e pelas pessoas que vivem esse problema, sejam elas dependentes ou co-dependentes. Mas quais as características da co-dependência ou do co-dependente? Como é esse padrão não saudável de lidar com a vida, em reação a essas pessoas problemáticas? As principais características são: tomar conta, controlar, preocupar, tornar-se obcecado, negar os problemas, dependência, baixa auto-estima, ser reprimido, falta de comunicação, limites fracos, falta de confiança, raiva, problemas sexuais, entre outros. E o mais importante e que envolve todos esses: viver em função do outro, tomando conta, preocupando-se, salvando,, assumindo suas responsabilidades e vivendo para ele ou por ele. E o que é mais grave: mantendo as pessoas na posição que estão, dependentes, problemáticas e não assumindo a responsabilidade pela própria vida e não cuidando de si mesmas. Mas como surge a co-dependência? Quais são suas causas? Bem, ela surge da nossa história de vida. Alguém importante para nós nos rejeitou, abandonou-nos, gerando uma dor e um vazio imenso. Esse abandono e essa dor irão fazer com que passemos a acreditar que nós não somos bons, não somos dignos de ser amados.. Que dentro da gente só existe essa dor e mais nada de bom. E que a chave para a felicidade, para as coisas boas da vida não está em nós. Com quem então está essa chave? Passamos a acreditar que a chave está com os outros. É, então, que passamos a buscar no outro a felicidade que não encontramos na gente mesmo. Passamos a buscar no outro o amor que não tivemos; a aceitação que não tivemos; a aprovação que não tivemos. Passamos a ficar dependentes do outro. Do seu amor, da sua aceitação, da sua aprovação. Só nos sentiremos bem, só nos sentiremos amados, aceitos e aprovados se o outro nos amar, aceitar e aprovar. Passamos a precisar do outro. O outro passa a ser a nossa vida. A nossa salvação. É quando, então, começamos a fazer de tudo para conseguir o amor, a aceitação e a aprovação do outro. Começamos a cuidar do outro, preocupar-nos com o outro, viver a vida do outro, pelo outro, assumir responsabilidades pelo outro, salvar o outro. E esquecemos de tomar conta da nossa vida, cuidar da nossa vida, preocupar-nos conosco, assumir nossas responsabilidades, salvar-nos. Tudo isso para nos sentirmos aceitos, amados e aprovados pelo outro. Nossa vida passa a ser o outro e não a gente mesmo. Perdemos o contato conosco, com a nossa vida, nossas emoções, sentimentos, pensamentos e objetivos. Passamos a viver a vida do outro, pensamentos sentimentos e objetivos do outro. E a nossa vida vira um caos. Ficamos angustiados, deprimidos, revoltados, infelizes, tristes. E não conseguimos, dessa forma, o amor, a aceitação e aprovação que precisamos. E com a agravante que nossa vida vira de cabeça para baixo em função de não estarmos cuidando dela. O que fazer então? Como mudar esse quadro? O primeiro passo é assumir a responsabilidade pela nossa vida. Passarmos a tomar conta de nós mesmos, cuidar de nós mesmos. Deixar que o outro cuide de si, tome conta de si, assuma suas responsabilidades. Desligar-nos do outro e nos ligar a nós mesmos, à nossa vida. É passarmos a identificar, reconhecer e aceitar nossos desejos e necessidades. Perceber que nossos desejos e necessidades falam de nós, e realizá-los é cuidar da gente com carinho e aceitação. É percebermos que todos nós "precisamos" das pessoas. Mas esse precisar não é fazer do outro a nossa vida, o ar que respiramos. É ver que temos vida própria, desejos, necessidades, sentimentos, emoções e compartilhá-los com o outro. E não tomar do outro o que é do outro, nem deixar que tomem da gente o que é da gente. Melhor seria trocar com o outro. É pararmos de reagir a qualquer sentimento, pensamento e atitude do outro, ou a qualquer fato ou acontecimento da vida. É sentir que o mais importante é agirmos dentro do melhor que pudermos fazer, naquele momento, naquela circunstância, e dentro do que é melhor para nós, e também para o outro; por quê não? É pararmos de tentar controlar os outros, os fatos e a vida. É percebermos que isso é algo impossível de se conseguir. E que além de não conseguirmos, isso exigirá de nós um esforço e um desgaste de energia tal, que não compensará qualquer ganho nesse sentido. É percebermos que não adianta fazer-nos de vítima, que as pessoas, a vida e os fatos não mudarão por causa disso. Que não adianta tomarmos conta das pessoas, salvá-las e assumirmos suas responsabilidades, que elas não nos reconhecerão por isso. E se reconhecerem, nós não nos sentiremos bem por termos deixado de cuidar de nós mesmos. E que não adianta ficar com raiva das pessoas por não nos reconhecerem e por termos deixado de nos cuidar, porque só ganharemos com isso ... desafetos. É não achar que cuidarmos da gente é sermos egoístas. Que nos colocar em 1.º lugar é algo fora de questão. É não achar que só teremos valor se fizermos algo pelo outro. Se tomarmos conta do outro, cuidarmos do outro. E que podemos e devemos dizer não, todas as vezes que julgamos conveniente e necessário. É percebemos que só poderemos fazer algo por nós se aceitarmos a nossa vida, a nossa situação, o ponto que estamos. Só poderemos mudar algo em nós, na nossa vida, se aceitarmos nós mesmos, as pessoas e as circunstâncias como elas são. Que brigar com a realidade não adiantará nada. Não só vamos perder a briga, como as coisas continuarão do jeito que são ou estão. É percebermos que somos pessoas como quaisquer outras. Que somos dignos de respeito, carinho e amor como todo mundo. Que sentimos e pensamos da forma que deve ser, que não há nada de errado nisso. E que seremos respeitados e aceitos da mesma forma quando nos expressarmos. Que falar claro e abertamente não é difícil. Na verdade, é fácil. É só começar. Que por medo de sermos rejeitados, evitamos a intimidade com o outro. E evitando a intimidade, evitamos o contato. Evitando o contato, ficamos infelizes. Se ficamos infelizes, buscamos o outro para nos trazer felicidade, mas através de relações superficiais. Como o outro não é capaz disso, nem deveria, culpamo-lo por isso. Ele não correspondeu à nossa expectativa. E a relação se perde. E também a expressão física do amor que achávamos que tínhamos. Bem, são várias e várias coisas que podemos fazer para mudar o quadro das nossas vidas. Vai depender do que precisamos, do momento que vivemos, de com quem vivemos. Mas, certamente, uma coisa será necessária: deixar de tomar conta do outro, cuidar do outro e passar a tomar conta da gente, cuidar da gente. E para começar, só precisamos de uma coisa: começar, começar de novo, devagar. Sem saber direito onde e em quê mexer. Não importa. Se errarmos, podemos consertar. Se estivermos devagar, podemos acelerar. Se não soubermos onde nem em quê mexer, com a prática, certamente, aprenderemos a fazê-lo. O certo é que nós merecemos e podemos ser felizes. Para isso só falta ... começar. Resenha feita por Luís Carlos Bouissou - Psicólogo participante da COOPERATIVA DE TERAPIA SISTÊMICA - Julho/2003

CO-DEPENDÊNCIA: ENTENDA O QUE É

Todos nós estamos muito acostumados com a palavra dependência/independência. Sabemos ou temos ideia do seu significado e as formas que ela se manifesta. Uma pessoa pode se mostrar dependente de outra, emocional e financeiramente. Pode se mostrar dependente de drogas, bebidas. Pode se mostrar dependente de remédios. Enfim, são várias as formas com que a dependência pode se manifestar.

E na maioria dos casos, praticamente todas as atenções e cuidados se voltam para a pessoa dependente. Os cuidados e preocupações familiares, de cônjuges, amigos. Os cuidados médicos, terapêuticos, todos estão concentrados no membro sintomático. Geralmente, a pessoa que apresenta algum tipo de problema é considerada o sintoma daquela família ou daquele grupo. E todos os cuidados se voltam para ela.

E tem sido assim até hoje. Mas de um tempo para cá, a partir das décadas de 60 e 70, algo de estranho começou a ser percebido nas pessoas que convivem com esses membros sintomáticos. Primeiramente, com as pessoas próximas de dependentes químicos. Os especialistas começaram a aperceber que essas pessoas (parentes, cônjuges, filhos, etc.) apresentavam comportamentos muito semelhantes às pessoas que tinham e conviviam com o mesmo tipo de problema. E passaram a voltar sua atenção e seus estudos também para essas pessoas próximas.

Eles perceberam que não somente as pessoas que conviviam com dependentes químicos apresentavam esses problemas. Quem convivia com pessoas com problemas compulsivos como jogar, comer demais, desvios sexuais, etc., apresentavam o mesmo tipo de comportamento ou reação a esses distúrbios. E a compreensão dessa situação foi aumentando.

E à medida que a percepção e compreensão dessa questão aumentavam, mais grupos de pessoas pareciam possuí-la: filhos adultos de alcoólicos, pessoas que se relacionavam com outras emocional ou mentalmente perturbadas, pessoas em relacionamento com doentes crônicos, pais de crianças com problemas de comportamento, pessoas em relacionamento com pessoas irresponsáveis, enfermeiros, assistentes sociais, e outros profissionais em ajuda a outras pessoas. Até mesmo alcoólicos e viciados em recuperação notaram que eles mesmos apresentavam esses problemas e talvez os apresentassem antes mesmo de se tornarem dependentes químicos.

Um denominador razoavelmente comum, já mencionado anteriormente, era ter-se um relacionamento, pessoal ou profissional, com pessoas perturbadas. Mas um segundo e mais freqüente denominador comum parecia ser as regras silenciosas e não escritas que geralmente se desenvolvem na família próxima e estabelecem o ritmo dos relacionamentos. Essas regras proíbem: a discussão dos problemas; as expressões abertas de sentimentos; comunicação honesta e direta; expectativas realistas, como a de ser humano, vulnerável ou imperfeito; confiar em outras pessoas e em si mesmo; brincar e divertir-se; e balançar o barco familiar, tão fragilmente equilibrado, através de crescimento ou mudança, por mais saudável ou benéfico que esse movimento possa ser.

Mas, afinal, que problemas eram esses que essas pessoas próximas de membros sintomáticos apresentavam e em que se consistiam?

O problema que essas pessoas apresentavam foi chamado de co-dependência e quem o apresentava passou a ser conhecido como co-dependente. E se consistia no desenvolvimento de um padrão de lidar com a vida que não era saudável em reação aos problemas apresentados por outras pessoas (abuso do álcool, ou drogas, desvios sexuais, comedores compulsivos, etc.). A co-dependência envolve os efeitos que essas pessoas problemáticas têm sobre nós, e como, em retorno, tentamos afetar a elas.

Esse termo, co-dependência, surgiu no meio terapêutico, mais precisamente no Estado de Minessotta, conhecido como referência no tratamento de dependentes químicos. É um jargão terapêutico, talvez conhecido apenas nesse meio e pelas pessoas que vivem esse problema, sejam elas dependentes ou co-dependentes.

Mas quais as características da co-dependência ou do co-dependente? Como é esse padrão não saudável de lidar com a vida, em reação a essas pessoas problemáticas?

As principais características são: tomar conta, controlar, preocupar, tornar-se obcecado, negar os problemas, dependência, baixa auto-estima, ser reprimido, falta de comunicação, limites fracos, falta de confiança, raiva, problemas sexuais, entre outros. E o mais importante e que envolve todos esses: viver em função do outro, tomando conta, preocupando-se, salvando,, assumindo suas responsabilidades e vivendo para ele ou por ele. E o que é mais grave: mantendo as pessoas na posição que estão, dependentes, problemáticas e não assumindo a responsabilidade pela própria vida e não cuidando de si mesmas.

Mas como surge a co-dependência? Quais são suas causas?

Bem, ela surge da nossa história de vida. Alguém importante para nós nos rejeitou, abandonou-nos, gerando uma dor e um vazio imenso. Esse abandono e essa dor irão fazer com que passemos a acreditar que nós não somos bons, não somos dignos de ser amados.. Que dentro da gente só existe essa dor e mais nada de bom. E que a chave para a felicidade, para as coisas boas da vida não está em nós. Com quem então está essa chave? Passamos a acreditar que a chave está com os outros. É, então, que passamos a buscar no outro a felicidade que não encontramos na gente mesmo.

Passamos a buscar no outro o amor que não tivemos; a aceitação que não tivemos; a aprovação que não tivemos. Passamos a ficar dependentes do outro. Do seu amor, da sua aceitação, da sua aprovação. Só nos sentiremos bem, só nos sentiremos amados, aceitos e aprovados se o outro nos amar, aceitar e aprovar. Passamos a precisar do outro. O outro passa a ser a nossa vida. A nossa salvação.

É quando, então, começamos a fazer de tudo para conseguir o amor, a aceitação e a aprovação do outro. Começamos a cuidar do outro, preocupar-nos com o outro, viver a vida do outro, pelo outro, assumir responsabilidades pelo outro, salvar o outro. E esquecemos de tomar conta da nossa vida, cuidar da nossa vida, preocupar-nos conosco, assumir nossas responsabilidades, salvar-nos. Tudo isso para nos sentirmos aceitos, amados e aprovados pelo outro. Nossa vida passa a ser o outro e não a gente mesmo. Perdemos o contato conosco, com a nossa vida, nossas emoções, sentimentos, pensamentos e objetivos. Passamos a viver a vida do outro, pensamentos sentimentos e objetivos do outro. E a nossa vida vira um caos.

Ficamos angustiados, deprimidos, revoltados, infelizes, tristes. E não conseguimos, dessa forma, o amor, a aceitação e aprovação que precisamos. E com a agravante que nossa vida vira de cabeça para baixo em função de não estarmos cuidando dela. O que fazer então? Como mudar esse quadro? O primeiro passo é assumir a responsabilidade pela nossa vida. Passarmos a tomar conta de nós mesmos, cuidar de nós mesmos. Deixar que o outro cuide de si, tome conta de si, assuma suas responsabilidades. Desligar-nos do outro e nos ligar a nós mesmos, à nossa vida. É passarmos a identificar, reconhecer e aceitar nossos desejos e necessidades. Perceber que nossos desejos e necessidades falam de nós, e realizá-los é cuidar da gente com carinho e aceitação.

É percebermos que todos nós “precisamos” das pessoas. Mas esse precisar não é fazer do outro a nossa vida, o ar que respiramos. É ver que temos vida própria, desejos, necessidades, sentimentos, emoções e compartilhá-los com o outro. E não tomar do outro o que é do outro, nem deixar que tomem da gente o que é da gente. Melhor seria trocar com o outro.

É pararmos de reagir a qualquer sentimento, pensamento e atitude do outro, ou a qualquer fato ou acontecimento da vida. É sentir que o mais importante é agirmos dentro do melhor que pudermos fazer, naquele momento, naquela circunstância, e dentro do que é melhor para nós, e também para o outro; por quê não?

É pararmos de tentar controlar os outros, os fatos e a vida. É percebermos que isso é algo impossível de se conseguir. E que além de não conseguirmos, isso exigirá de nós um esforço e um desgaste de energia tal, que não compensará qualquer ganho nesse sentido. É percebermos que não adianta fazer-nos de vítima, que as pessoas, a vida e os fatos não mudarão por causa disso. Que não adianta tomarmos conta das pessoas, salvá-las e assumirmos suas responsabilidades, que elas não nos reconhecerão por isso. E se reconhecerem, nós não nos sentiremos bem por termos deixado de cuidar de nós mesmos. E que não adianta ficar com raiva das pessoas por não nos reconhecerem e por termos deixado de nos cuidar, porque só ganharemos com isso … desafetos.

É não achar que cuidarmos da gente é sermos egoístas. Que nos colocar em 1.º lugar é algo fora de questão. É não achar que só teremos valor se fizermos algo pelo outro. Se tomarmos conta do outro, cuidarmos do outro. E que podemos e devemos dizer não, todas as vezes que julgamos conveniente e necessário.

É percebemos que só poderemos fazer algo por nós se aceitarmos a nossa vida, a nossa situação, o ponto que estamos. Só poderemos mudar algo em nós, na nossa vida, se aceitarmos nós mesmos, as pessoas e as circunstâncias como elas são. Que brigar com a realidade não adiantará nada. Não só vamos perder a briga, como as coisas continuarão do jeito que são ou estão.

É percebermos que somos pessoas como quaisquer outras. Que somos dignos de respeito, carinho e amor como todo mundo. Que sentimos e pensamos da forma que deve ser, que não há nada de errado nisso. E que seremos respeitados e aceitos da mesma forma quando nos expressarmos. Que falar claro e abertamente não é difícil. Na verdade, é fácil. É só começar.

Que por medo de sermos rejeitados, evitamos a intimidade com o outro. E evitando a intimidade, evitamos o contato. Evitando o contato, ficamos infelizes. Se ficamos infelizes, buscamos o outro para nos trazer felicidade, mas através de relações superficiais. Como o outro não é capaz disso, nem deveria, culpamo-lo por isso. Ele não correspondeu à nossa expectativa. E a relação se perde. E também a expressão física do amor que achávamos que tínhamos.

Bem, são várias e várias coisas que podemos fazer para mudar o quadro das nossas vidas. Vai depender do que precisamos, do momento que vivemos, de com quem vivemos. Mas, certamente, uma coisa será necessária: deixar de tomar conta do outro, cuidar do outro e passar a tomar conta da gente, cuidar da gente. E para começar, só precisamos de uma coisa: começar, começar de novo, devagar. Sem saber direito onde e em quê mexer. Não importa. Se errarmos, podemos consertar. Se estivermos devagar, podemos acelerar. Se não soubermos onde nem em quê mexer, com a prática, certamente, aprenderemos a fazê-lo. O certo é que nós merecemos e podemos ser felizes. Para isso só falta … começar.

Resenha feita por Luís Carlos Bouissou – Psicólogo participante da COOPERATIVA DE TERAPIA SISTÊMICA – Julho/2003

Por: shakyamuni

Deixe um comentário