Revista eletrônica de divulgação holística. Artigos, crônicas e parábolas de abordagens científicas e espirituais. Um portal de acesso para o autoconhecimento, a meditação e a consciência de viver com plenitude no aqui e no agora.
  • Home  /
  • Artigo   /
  • A TEOSOFIA DOS ÍNDIOS AMERICANOS
A TEOSOFIA DOS ÍNDIOS AMERICANOS black elk estar em si - Por:  Osvaldo Condé Filho  “O que está aqui está em qualquer parte. O que não está aqui, não está em parte alguma” – Vishvasara Tantra   Alce Negro, “Hehaka Sapa”, nascido em 1863 e falecido em 19 de agosto de 1950 – no estado de Dakota do Sul foi um xamã/pajé da tribo lakota/sioux considerado um […] Full view

Por:  Osvaldo Condé Filho
 

Alce Negro, “Hehaka Sapa”, nascido em 1863 e falecido em 19 de agosto de 1950 - no estado de Dakota do Sul foi um xamã/pajé da tribo lakota/sioux considerado um homem santo até mesmo pelos homens brancos que o conheceram de perto.

Sua história está contada no livro de John Gneisenau Neihardt: “Black Elk Speaks”,editado pela primeira vez em 1932, em que Alce Negro relata parte de sua vida, desde suas visões espirituais até a guerra impiedosa dos brancos contra os peles vermelhas.

No livro de Joseph Epes Brown: “The Sacred Pipe”, editado em 1953, ”Alce Negro” descreve os sete ritos sagrados dos Sioux e o simbolismo dos mesmos. O objetivo desse pequeno artigo é fazer algumas observações em “sabedoria comparada”, devido aos conhecimentos sagrados obtidos por Alce Negro.

Ele mergulhou na unidade da natureza e apresenta de forma tão clara a sabedoria das eras, que só nos resta cotejar tais conhecimentos com outras tradições, para reafirmar essa unidade que transcende a cultura, o tempo e o espaço.

Essa unidade transcendente de “sabedorias” é uma alavanca que pode nos auxiliar a nos mover-nos em direção a nós mesmos. Assim, nesse contexto, analisar os ditos e ensinamentos de Alce Negro podem ser, fundamentais neste momento de “ecocídio” ou suicídio ecológico, que vivemos, onde a ”Vingança de Gaya” deixa de ser uma mera hipótese e torna-se uma cruenta realidade.

Alce Negro 1863 / 1950 

A revelação ou “visão” pela qual Alce Negro passou (Satori no budismo ou Samadhi na linguagem iogue) aos nove anos de idade, deu lhe uma percepção da unidade da vida que está muito além das formas.

Sua “visão” iniciou-se por uma “voz” que lhe dizia que “havia chegado o momento, a hora! ”. Assim como Sócrates ele tinha, pelo visto, um “Daemom” (espírito, inspiração) próprio que lhe “soprava” todas as respostas aos seus questionamentos interiores.

Ele foi conduzido ao “centro e topo do mundo”, à montanha mágica, o "Harney Peak", nas Black Hills no estado de Dakota do Sul nos Estados Unidos.

No processo iniciático o iniciando também é levado a uma visão de unidade, uma graça, na linguagem sufi um “Hal”, um presente que faz com que a pessoa envolvida mude completamente sua forma de ver, pensar e interagir com o mundo.

O seu julgamento não mais passa pelo crivo dos sentidos e pensamentos meramente... Alce Negro percebe em sua visão desde o topo do mundo que os seres de duas e quatro pernas, as aves e as plantas, tudo enfim tem uma íntima conexão consciencial.

Contudo, ao mesmo tempo tal ligação a nível de consciências comuns não é explícita... O homem comum julga pelo que vê, pensa, e pensa que pensa...

"Os homens se extraviam por causa da escuridão de seus olhos.Torna-se muito difícil seguir uma grande visão (espiritual) neste mundo de obscuridade e de sombras cambiantes. Nestas sombras o homem extravia-se."Alce Negro

Na verdade, a unidade implicitada consciência se manifesta pela unidade explícita da ecologia e do habitat. Alce Negro tem assim desde os nove anos de idade seu primeiro contato com a realidade por detrás da multiplicidade aparente, que nada mais é do que reflexo de uma unidade intrínseca.

A terra, o planeta, é visto na tradição como a Grande Mãe, e Wakan Tanka - o Grande Espírito - é o pai de tudo o que vive. O erro dos homens é se comportarem como predadores da própria mãe e a não se verem e agirem como irmãos que vivem na mesma casa.

Nestes tempos modernos em que vivemos é que a Ecologia Profunda começa a ser mais abordada, bem como todas as questões levantadas por movimentos como “Green Peace” e por filmes como “Uma Verdade Inconveniente” de Al Gore.

Muito se fala, pouco relativamente tem sido feito, muita gente fala contra o efeito estufa, mas poucos estão dispostos a abrir mão do “bife de cada dia” que é produzido ás custas de desmatamento de florestas, o que representa uma diminuição da biodiversidade, e de um consumo desmedido de água potável (para alimentar o gado).

O sagrado e bom da narração é a história da vida como um todo, a nossa, os bípedes, compartindo-a com os seres de quatro pernas e com as asas do ar (aves) e todas as coisas verdes, pois são filhos de uma mãe única e seu pai é um só Espírito. Alce Negro


No texto seguinte Alce Negro aborda a diferença entre a visão material e a visão espiritual e reafirma o simbolismo do coração como sede do espírito, o que é comum em muitas outras tradições. Ele (Alce Negro) é cego para as coisas desse mundo, pois seu foco está na unidade e na espiritualidade e não na diversidade aparente da fenomenalidade.

"Sou cego e não vejo as coisas desse mundo, mas quando a luz vem de Cima ilumina meu coração e posso ver, pois o Olho do meu coração enxerga tudo. O coração é o santuário em cujo centro encontra-se um pequeno espaço em que mora o Grande Espírito e este é o Olho. Este é o Olho do grande Espírito mediante o qual Ele vê todas as coisas e mediante o qual nós o vemos. Quando o coração não é puro, Grande Espírito não pode ser visto e se morreres na ignorância, vossa alma não poderá regressar imediatamente para o Seu lado, senão que deverá purificar-se mediante peregrinações através do mundo. Para poder conhecer o Centro do coração em que reside o Grande Espírito, deverá ser puro e bons e viver segundo a maneira que o Grande Espírito nos tem ensinado. O homem que, desse modo, é puro, contém o Universo na bolsa de seu coração."Alce Negro

O coração tem que ser purificado antes que o Grande Espírito possa manifestar-se, e se assim não o for, a alma - o espírito daquele que busca o conhecimento - deverá peregrinar pelo mundo.

Viver de acordo com as regras do Grande Espírito é a chave básica para o avanço espiritual, e cada tradição tem suas regras que basicamente são as mesmas.

No cristianismo há os dez mandamentos, que por sua vez são extraídos do judaísmo. E, singularmente, são os mesmos cinco sintéticos preceitos existentes no budismo.

No clássico livro ocultista de Helena Petrovna Blavatsky: “A voz do Silêncio” fica claro no fragmento número dois, com relação à “As duas Sendas”, pág. 46 da edição argentina do Editorial Kierde 1940 que afirma:

“Mas, ó Lanú (discípulo) seja limpo de coração antes de empreender tua viagem. Antes de dar o primeiro passo, aprenda a discernir o real do falso, o momentâneo do eterno. Aprende sobre tudo a separar a sabedoria da cabeça da sabedoria da Alma, a doutrina do olho da doutrina do coração. ”

Mais uma vez vemos que a sabedoria se repete de forma arquetípica e de forma tão coincidente que até mesmo as palavras usadas são as mesmas. Não só o conceito é similar, mas as palavras são textualmente iguais, e isto apesar da grande distância física e temporal, América do norte e Índia, e diferenças linguísticas tais como entre o sânscrito e a língua dos Sioux.

Também os Sufis, costumam definir a ”sabedoria da cabeça” como um "burro carregado de livros”, que apesar do conhecimento que transporta, dele não usufrui e muito menos atinge uma Sabedoria. O conhecido mestre Sufi "Al Halaj", que por seguir a inspiração de Jesus, foi também crucificado, ele também ecoava numa reafirmação de unidade transcendente, atemporal, dos pensamentos de Alce Negro:

“Eu vi, meu Senhor, com o olho do coração.
Perguntei ‘Quem és? ”E Ele Respondeu: tú’.
”As religiões do mundo - Huston Smith - Ed. Cultrix Pág. 252 - SP - 2007

Sophia - a sabedoria como se vê é uma só e é curioso que mesmo se repetindo infinitamente na essência da religião, seja tão pouco percebida...

Muito poder-se-ia falar sobre este "guru” das pradarias desconhecido até por americanos, mas sendo esta apenas uma ”pitada" de sabedoria encerramos com a advertência daquele que poderia ser um santo em qualquer tradição que realmente fosse humana.

“Todo homem que está apegado aos sentidos e as coisas desse mundo e que por isso, vive em ignorância é devorado por serpentes, suas próprias paixões. ” Alce Negro

A TEOSOFIA DOS ÍNDIOS AMERICANOS

Por:  Osvaldo Condé Filho
 

Alce Negro, “Hehaka Sapa”, nascido em 1863 e falecido em 19 de agosto de 1950 – no estado de Dakota do Sul foi um xamã/pajé da tribo lakota/sioux considerado um homem santo até mesmo pelos homens brancos que o conheceram de perto.

Sua história está contada no livro de John Gneisenau Neihardt: “Black Elk Speaks”,editado pela primeira vez em 1932, em que Alce Negro relata parte de sua vida, desde suas visões espirituais até a guerra impiedosa dos brancos contra os peles vermelhas.

No livro de Joseph Epes Brown: “The Sacred Pipe”, editado em 1953, ”Alce Negro” descreve os sete ritos sagrados dos Sioux e o simbolismo dos mesmos. O objetivo desse pequeno artigo é fazer algumas observações em “sabedoria comparada”, devido aos conhecimentos sagrados obtidos por Alce Negro.

Ele mergulhou na unidade da natureza e apresenta de forma tão clara a sabedoria das eras, que só nos resta cotejar tais conhecimentos com outras tradições, para reafirmar essa unidade que transcende a cultura, o tempo e o espaço.

Essa unidade transcendente de “sabedorias” é uma alavanca que pode nos auxiliar a nos mover-nos em direção a nós mesmos. Assim, nesse contexto, analisar os ditos e ensinamentos de Alce Negro podem ser, fundamentais neste momento de “ecocídio” ou suicídio ecológico, que vivemos, onde a ”Vingança de Gaya” deixa de ser uma mera hipótese e torna-se uma cruenta realidade.

Alce Negro 1863 / 1950 

A revelação ou “visão” pela qual Alce Negro passou (Satori no budismo ou Samadhi na linguagem iogue) aos nove anos de idade, deu lhe uma percepção da unidade da vida que está muito além das formas.

Sua “visão” iniciou-se por uma “voz” que lhe dizia que “havia chegado o momento, a hora! ”. Assim como Sócrates ele tinha, pelo visto, um “Daemom” (espírito, inspiração) próprio que lhe “soprava” todas as respostas aos seus questionamentos interiores.

Ele foi conduzido ao “centro e topo do mundo”, à montanha mágica, o “Harney Peak”, nas Black Hills no estado de Dakota do Sul nos Estados Unidos.

No processo iniciático o iniciando também é levado a uma visão de unidade, uma graça, na linguagem sufi um “Hal”, um presente que faz com que a pessoa envolvida mude completamente sua forma de ver, pensar e interagir com o mundo.

O seu julgamento não mais passa pelo crivo dos sentidos e pensamentos meramente… Alce Negro percebe em sua visão desde o topo do mundo que os seres de duas e quatro pernas, as aves e as plantas, tudo enfim tem uma íntima conexão consciencial.

Contudo, ao mesmo tempo tal ligação a nível de consciências comuns não é explícita… O homem comum julga pelo que vê, pensa, e pensa que pensa…

Os homens se extraviam por causa da escuridão de seus olhos.Torna-se muito difícil seguir uma grande visão (espiritual) neste mundo de obscuridade e de sombras cambiantes. Nestas sombras o homem extravia-se.“Alce Negro

Na verdade, a unidade implicitada consciência se manifesta pela unidade explícita da ecologia e do habitat. Alce Negro tem assim desde os nove anos de idade seu primeiro contato com a realidade por detrás da multiplicidade aparente, que nada mais é do que reflexo de uma unidade intrínseca.

A terra, o planeta, é visto na tradição como a Grande Mãe, e Wakan Tanka – o Grande Espírito – é o pai de tudo o que vive. O erro dos homens é se comportarem como predadores da própria mãe e a não se verem e agirem como irmãos que vivem na mesma casa.

Nestes tempos modernos em que vivemos é que a Ecologia Profunda começa a ser mais abordada, bem como todas as questões levantadas por movimentos como “Green Peace” e por filmes como “Uma Verdade Inconveniente” de Al Gore.

Muito se fala, pouco relativamente tem sido feito, muita gente fala contra o efeito estufa, mas poucos estão dispostos a abrir mão do “bife de cada dia” que é produzido ás custas de desmatamento de florestas, o que representa uma diminuição da biodiversidade, e de um consumo desmedido de água potável (para alimentar o gado).

O sagrado e bom da narração é a história da vida como um todo, a nossa, os bípedes, compartindo-a com os seres de quatro pernas e com as asas do ar (aves) e todas as coisas verdes, pois são filhos de uma mãe única e seu pai é um só Espírito. Alce Negro

No texto seguinte Alce Negro aborda a diferença entre a visão material e a visão espiritual e reafirma o simbolismo do coração como sede do espírito, o que é comum em muitas outras tradições. Ele (Alce Negro) é cego para as coisas desse mundo, pois seu foco está na unidade e na espiritualidade e não na diversidade aparente da fenomenalidade.

“Sou cego e não vejo as coisas desse mundo, mas quando a luz vem de Cima ilumina meu coração e posso ver, pois o Olho do meu coração enxerga tudo. O coração é o santuário em cujo centro encontra-se um pequeno espaço em que mora o Grande Espírito e este é o Olho. Este é o Olho do grande Espírito mediante o qual Ele vê todas as coisas e mediante o qual nós o vemos. Quando o coração não é puro, Grande Espírito não pode ser visto e se morreres na ignorância, vossa alma não poderá regressar imediatamente para o Seu lado, senão que deverá purificar-se mediante peregrinações através do mundo. Para poder conhecer o Centro do coração em que reside o Grande Espírito, deverá ser puro e bons e viver segundo a maneira que o Grande Espírito nos tem ensinado. O homem que, desse modo, é puro, contém o Universo na bolsa de seu coração.“Alce Negro

O coração tem que ser purificado antes que o Grande Espírito possa manifestar-se, e se assim não o for, a alma – o espírito daquele que busca o conhecimento – deverá peregrinar pelo mundo.

Viver de acordo com as regras do Grande Espírito é a chave básica para o avanço espiritual, e cada tradição tem suas regras que basicamente são as mesmas.

No cristianismo há os dez mandamentos, que por sua vez são extraídos do judaísmo. E, singularmente, são os mesmos cinco sintéticos preceitos existentes no budismo.

No clássico livro ocultista de Helena Petrovna Blavatsky: “A voz do Silêncio” fica claro no fragmento número dois, com relação à “As duas Sendas”, pág. 46 da edição argentina do Editorial Kierde 1940 que afirma:

“Mas, ó Lanú (discípulo) seja limpo de coração antes de empreender tua viagem. Antes de dar o primeiro passo, aprenda a discernir o real do falso, o momentâneo do eterno. Aprende sobre tudo a separar a sabedoria da cabeça da sabedoria da Alma, a doutrina do olho da doutrina do coração. ”

Mais uma vez vemos que a sabedoria se repete de forma arquetípica e de forma tão coincidente que até mesmo as palavras usadas são as mesmas. Não só o conceito é similar, mas as palavras são textualmente iguais, e isto apesar da grande distância física e temporal, América do norte e Índia, e diferenças linguísticas tais como entre o sânscrito e a língua dos Sioux.

Também os Sufis, costumam definir a ”sabedoria da cabeça” como um “burro carregado de livros”, que apesar do conhecimento que transporta, dele não usufrui e muito menos atinge uma Sabedoria. O conhecido mestre Sufi “Al Halaj”, que por seguir a inspiração de Jesus, foi também crucificado, ele também ecoava numa reafirmação de unidade transcendente, atemporal, dos pensamentos de Alce Negro:

“Eu vi, meu Senhor, com o olho do coração.
Perguntei ‘Quem és? ”E Ele Respondeu: tú’.
”As religiões do mundo – Huston Smith – Ed. Cultrix Pág. 252 – SP – 2007

Sophia – a sabedoria como se vê é uma só e é curioso que mesmo se repetindo infinitamente na essência da religião, seja tão pouco percebida…

Muito poder-se-ia falar sobre este “guru” das pradarias desconhecido até por americanos, mas sendo esta apenas uma ”pitada” de sabedoria encerramos com a advertência daquele que poderia ser um santo em qualquer tradição que realmente fosse humana.

“Todo homem que está apegado aos sentidos e as coisas desse mundo e que por isso, vive em ignorância é devorado por serpentes, suas próprias paixões. ” Alce Negro

Por: shakyamuni

Posts Relacionados

Deixe um comentário