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A SOMBRA DOS ESTADOS UNIDOS: O VERDADEIRO SEGREDO DE DONALD J. TRUMP Donald-Trump-708×350@2x - Por Deepak Chopra: Há uma maneira eficiente para explicar a ascensão de Donald Trump que a maioria dos analistas políticos tem perdido totalmente ou subvalorizado. O normal é que se descreva Trump como uma anomalia bizarra: começando como um candidato celebridade que não teria muitas possibilidades e desafiou todas as regras convencionais da política, algo que […] Full view

Por Deepak Chopra:

Há uma maneira eficiente para explicar a ascensão de Donald Trump que a maioria dos analistas políticos tem perdido totalmente ou subvalorizado. O normal é que se descreva Trump como uma anomalia bizarra: começando como um candidato celebridade que não teria muitas possibilidades e desafiou todas as regras convencionais da política, algo que deveria ter tido consequências desastrosas. Em vez disso, Trump varreu antes, todos os candidatos do lado republicano. Possuindo um dom para ser sempre o protagonista e continuar dominando a cena de uma maneira que nenhum político havia conseguido antes - assim, a visão convencional desapareceu.

Mas, na realidade Trump não é bizarro ou anormal. Ele representa algo universal, algo bem diante de nossos olhos. É um aspecto da psique humana que nos sentimos constrangidos e envergonhados de expor, o que torna isto, nosso segredo coletivo. Voltando um século no campo da psicologia profunda, este lado secreto da natureza humana adquiriu um nome especial: a sombra.

A sombra é composta por todos os impulsos escuros - ódio, agressão, sadismo, egoísmo, inveja, ressentimento, transgressão sexual - que estão escondidos fora da nossa vista. O nome originou-se com Carl Jung, mas sua origem básica veio da percepção de Freud de que nossas psiques são dualistas, fortemente divididas entre o consciente e o inconsciente. A ascensão da civilização é um tributo a quão bem obedecemos a nossa mente consciente e suprimimos nosso lado inconsciente. Mas, tudo que se esconde nas sombras está fadado a vir para fora.

 Uma vez que venha à luz, é muito difícil fazer com que a sombra volte ao seu subterrâneo. O Partido Republicano tem mantido a sombra em uma lenta fervura ao longo de décadas, desde que Nixon descobriu como tirar partido do racismo sulista.
 

Quando isso acontece, as sociedades aparentemente ordenadas, racionais, justas, cultas e refinadas, de repente entram em erupção e exibem todo o horror que não conheciam: a violência, o preconceito, o caos e a irracionalidade impossível de tratar. Na verdade, a trágica ironia é que as piores erupções da sombra ocorrem em sociedades que na superfície não têm nada com que se preocupar. Isso explica porque toda a Europa, no auge de seu civilizado comportamento, lançou-se ao inferno da Primeira Guerra Mundial.

Se Trump é a mais recente expressão da sombra, então ele não é uma anomalia estranha; seria se os únicos padrões de medida fossem os valores racionais e comuns. Giremos mais a moeda, fazendo com que o  inconsciente se converta no seu padrão de medida, e ele se torna absolutamente típico. Quando a sombra irrompe, o que está errado se torna certo. Ser transgressor é um alívio, porque de repente a psique coletiva retorna dando cambalhotas nos jardins proibidos. Quando Trump se entrega aos maus comportamentos e, ao mesmo tempo, diz ao seu público desenfreado, "Isso é divertido, não é?" ele está expressando em público um impulso que nos envergonhamos: o de parar de obedecer as regras.

Mas a parte divertida da Primeira Guerra Mundial - a que enviou, quase alegremente, alguns jovens para lutar - rapidamente se transformou em horror, e a sombra fechou uma armadilha insidiosa. Uma vez que venha à luz, é muito difícil fazer com que a sombra volte ao seu subterrâneo. O Partido Republicano tem mantido a sombra em uma lenta fervura ao longo de décadas, desde que Nixon descobriu como tirar partido do racismo sulista, das agressões amparadas pela lei contra as minorias, e da atitude do 'nós-contra-eles' que utilizou contra o movimento que mostrava seu desacordo com a guerra do Vietnã.  Para não sentirem vergonha, as pessoas boas da direita americana buscaram figuras que pareciam respeitáveis depois do mandato de Nixon. A ironia reside em que, nas sociedades civilizadas que não parecem permitir que a sombra corra solta, quanto mais atuavam benevolamente Reagan e Bush, mais forte atuava a sombra detrás dessa máscara.

 Trump tem arrancado a máscara, intoxicado pela"diversão"  em deixar seus demônios correrem soltos e descobrir, para sua surpresa que milhões de pessoas o aplaudem.
 

Trump tem arrancado a máscara, intoxicado pela "diversão"  em deixar seus demônios correrem soltos e descobrir, para sua surpresa (tanto quanto Nixon fez) que milhões de pessoas o aplaudem. No entanto, por comparação, Nixon manteve o controle relativo sobre as forças que desencadeou, enquanto Trump pode estar montando num tigre; todavia, essa parte da história ainda não chegou ao fim.

Se a sombra se recusa voltar ao subterrâneo, que é sempre o caso, o que podemos esperar ao longo dos próximos seis meses? A situação presente nos deixa estagnados entre a negação e o desastre. A negação é quando você ignora a sombra; o desastre é quando você se entrega totalmente a ela. Sem se agarrar a nenhum dos extremos, agora muitos americanos sentem o sintoma inquietante de estar fora de controle. Trump se glorifica por estar fora de controle, e até que este surto siga seu curso - que ninguém pode prever o final - permanecerá imune a todas as restrições normais.

O que se pode fazer nesse meio tempo?

1. Veja o Trumpismo como ele é, um enfrentamento com a sombra.

2. Em vez de demonizá-lo, é preciso reconhecer que a sombra está e sempre esteve presente em todos nós.

3. Ao mesmo tempo, compreender e se dar conta de que a sombra nunca vence no final.

4. É necessário aproveitar cada oportunidade para reforçar e voltar aos valores dignos e corretos nas ações de sua própria vida.

5. Não se pode combater a sombra com mais sombra. O que significa dizer, que não se deve rebaixar-se as regras niilistas de Trump - ele sempre estará disposto a ir mais baixo do que você está disposto a ir.

Os Estados Unidos tem refletido a sorte em nossa capacidade para desabafar e reconhecer que temos demônios. Durante a Grande Depressão os ladrões de bancos tornaram-se heróis populares, mas ninguém sugeriu eleger Bonnie e Clyde para presidentes. As restrições racionais que permitem a evolução humana têm sido bem sucedidas por milênios: a zona superior do cérebro tornou-se dominante em detrimento a zona inferior. Esse domínio ainda é válido e segue bem presente, não importa o quão perto flertamos com as áreas primitivas da mente. Trump representa algo autêntico da natureza humana, e em tempos difíceis ele é o menino mau que se torna um herói popular. Ninguém pode prever se a sua postura baseada em que o incorreto é o correto, vai norteá-lo na Casa Branca. A competição com a nossa própria sombra ainda não acabou.

A SOMBRA DOS ESTADOS UNIDOS: O VERDADEIRO SEGREDO DE DONALD J. TRUMP

Por Deepak Chopra:

Há uma maneira eficiente para explicar a ascensão de Donald Trump que a maioria dos analistas políticos tem perdido totalmente ou subvalorizado. O normal é que se descreva Trump como uma anomalia bizarra: começando como um candidato celebridade que não teria muitas possibilidades e desafiou todas as regras convencionais da política, algo que deveria ter tido consequências desastrosas. Em vez disso, Trump varreu antes, todos os candidatos do lado republicano. Possuindo um dom para ser sempre o protagonista e continuar dominando a cena de uma maneira que nenhum político havia conseguido antes – assim, a visão convencional desapareceu.

Mas, na realidade Trump não é bizarro ou anormal. Ele representa algo universal, algo bem diante de nossos olhos. É um aspecto da psique humana que nos sentimos constrangidos e envergonhados de expor, o que torna isto, nosso segredo coletivo. Voltando um século no campo da psicologia profunda, este lado secreto da natureza humana adquiriu um nome especial: a sombra.

A sombra é composta por todos os impulsos escuros – ódio, agressão, sadismo, egoísmo, inveja, ressentimento, transgressão sexual – que estão escondidos fora da nossa vista. O nome originou-se com Carl Jung, mas sua origem básica veio da percepção de Freud de que nossas psiques são dualistas, fortemente divididas entre o consciente e o inconsciente. A ascensão da civilização é um tributo a quão bem obedecemos a nossa mente consciente e suprimimos nosso lado inconsciente. Mas, tudo que se esconde nas sombras está fadado a vir para fora.

 Uma vez que venha à luz, é muito difícil fazer com que a sombra volte ao seu subterrâneo. O Partido Republicano tem mantido a sombra em uma lenta fervura ao longo de décadas, desde que Nixon descobriu como tirar partido do racismo sulista.

 

Quando isso acontece, as sociedades aparentemente ordenadas, racionais, justas, cultas e refinadas, de repente entram em erupção e exibem todo o horror que não conheciam: a violência, o preconceito, o caos e a irracionalidade impossível de tratar. Na verdade, a trágica ironia é que as piores erupções da sombra ocorrem em sociedades que na superfície não têm nada com que se preocupar. Isso explica porque toda a Europa, no auge de seu civilizado comportamento, lançou-se ao inferno da Primeira Guerra Mundial.

Se Trump é a mais recente expressão da sombra, então ele não é uma anomalia estranha; seria se os únicos padrões de medida fossem os valores racionais e comuns. Giremos mais a moeda, fazendo com que o  inconsciente se converta no seu padrão de medida, e ele se torna absolutamente típico. Quando a sombra irrompe, o que está errado se torna certo. Ser transgressor é um alívio, porque de repente a psique coletiva retorna dando cambalhotas nos jardins proibidos. Quando Trump se entrega aos maus comportamentos e, ao mesmo tempo, diz ao seu público desenfreado, “Isso é divertido, não é?” ele está expressando em público um impulso que nos envergonhamos: o de parar de obedecer as regras.

Mas a parte divertida da Primeira Guerra Mundial – a que enviou, quase alegremente, alguns jovens para lutar – rapidamente se transformou em horror, e a sombra fechou uma armadilha insidiosa. Uma vez que venha à luz, é muito difícil fazer com que a sombra volte ao seu subterrâneo. O Partido Republicano tem mantido a sombra em uma lenta fervura ao longo de décadas, desde que Nixon descobriu como tirar partido do racismo sulista, das agressões amparadas pela lei contra as minorias, e da atitude do ‘nós-contra-eles’ que utilizou contra o movimento que mostrava seu desacordo com a guerra do Vietnã.  Para não sentirem vergonha, as pessoas boas da direita americana buscaram figuras que pareciam respeitáveis depois do mandato de Nixon. A ironia reside em que, nas sociedades civilizadas que não parecem permitir que a sombra corra solta, quanto mais atuavam benevolamente Reagan e Bush, mais forte atuava a sombra detrás dessa máscara.

 Trump tem arrancado a máscara, intoxicado pela“diversão”  em deixar seus demônios correrem soltos e descobrir, para sua surpresa que milhões de pessoas o aplaudem.

 

Trump tem arrancado a máscara, intoxicado pela “diversão”  em deixar seus demônios correrem soltos e descobrir, para sua surpresa (tanto quanto Nixon fez) que milhões de pessoas o aplaudem. No entanto, por comparação, Nixon manteve o controle relativo sobre as forças que desencadeou, enquanto Trump pode estar montando num tigre; todavia, essa parte da história ainda não chegou ao fim.

Se a sombra se recusa voltar ao subterrâneo, que é sempre o caso, o que podemos esperar ao longo dos próximos seis meses? A situação presente nos deixa estagnados entre a negação e o desastre. A negação é quando você ignora a sombra; o desastre é quando você se entrega totalmente a ela. Sem se agarrar a nenhum dos extremos, agora muitos americanos sentem o sintoma inquietante de estar fora de controle. Trump se glorifica por estar fora de controle, e até que este surto siga seu curso – que ninguém pode prever o final – permanecerá imune a todas as restrições normais.

O que se pode fazer nesse meio tempo?

1. Veja o Trumpismo como ele é, um enfrentamento com a sombra.

2. Em vez de demonizá-lo, é preciso reconhecer que a sombra está e sempre esteve presente em todos nós.

3. Ao mesmo tempo, compreender e se dar conta de que a sombra nunca vence no final.

4. É necessário aproveitar cada oportunidade para reforçar e voltar aos valores dignos e corretos nas ações de sua própria vida.

5. Não se pode combater a sombra com mais sombra. O que significa dizer, que não se deve rebaixar-se as regras niilistas de Trump – ele sempre estará disposto a ir mais baixo do que você está disposto a ir.

Os Estados Unidos tem refletido a sorte em nossa capacidade para desabafar e reconhecer que temos demônios. Durante a Grande Depressão os ladrões de bancos tornaram-se heróis populares, mas ninguém sugeriu eleger Bonnie e Clyde para presidentes. As restrições racionais que permitem a evolução humana têm sido bem sucedidas por milênios: a zona superior do cérebro tornou-se dominante em detrimento a zona inferior. Esse domínio ainda é válido e segue bem presente, não importa o quão perto flertamos com as áreas primitivas da mente. Trump representa algo autêntico da natureza humana, e em tempos difíceis ele é o menino mau que se torna um herói popular. Ninguém pode prever se a sua postura baseada em que o incorreto é o correto, vai norteá-lo na Casa Branca. A competição com a nossa própria sombra ainda não acabou.

Por: shakyamuni

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