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A ESPIRITUALIDADE DE JOÃO GUIMARÃES ROSA estar em si – guimaraes rosa - Por: Osvaldo Condé Filho “Você não sente que é indestrutível? Você não sente, dentro de você, que nada poderá fazer você desaparecer? Pois eu tenho certeza de que, desaparecendo aqui, ressurjo ali adiante”… Guimarães Rosa A obra prima o “Grande Sertão: Veredas” tem muitos aspectos e nesse texto gostaríamos de resgatar o aspecto mítico/iniciático na obra […] Full view

Por: Osvaldo Condé Filho

“Você não sente que é indestrutível? Você não sente, dentro de você, que nada poderá fazer você desaparecer? Pois eu tenho certeza de que, desaparecendo aqui, ressurjo ali adiante”...
Guimarães Rosa

A obra prima o “Grande Sertão: Veredas” tem muitos aspectos e nesse texto gostaríamos de resgatar o aspecto mítico/iniciático na obra do gênio ‘rosiano’.
O ‘Grande Sertão’ já foi analisado sobre os mais diversos aspectos, mas um se sobressai: o valor metafísico/religioso para o qual o próprio Rosa numa escala de um a quatro atribui a pontuação maior (4), para parâmetro do seu tradutor italiano Edoardo Bizzari.
Ora, assim as especulações outras e estudos políticos, antropológicos, linguísticos, poéticos geográficos, psicanalíticos, históricos e literários todos têm seu valor, mas a opinião deliberada e consciente do autor não conta? 
Talvez uma das maiores curiosidades do público comum seja a fonte de inspiração/criatividade de Rosa, de onde surgia a multitude de personagens em borbotões mercuriais.
Segundo as ideias ocultistas/teosóficas existe um repertório de ideias, um “arquivo astral” onde todas as informações estão catalogadas, acreditava J.G. Rosa nisso? Era de lá que vinham tais inspirações? Analisemos as declarações de punho do autor:

“Eu quando escrevo um livro, vou fazendo como se estivesse ‘traduzindo’, de algum alto original, existente alhures, no mundo astral ou no plano das ideias, dos arquétipos, por exemplo. Nunca sei se estou acertando ou falhando, nessa tradução’.”Pag.398- O roteiro de Deus- Heloisa V. de Araújo- Ed. Mandarim - 1967

No Jornal O estado de Minas em edição do dia 26/11/1967 Guimarães Rosa diz:

“No plano da arte e criação – já de si em boa parte subliminar ou supra consciente, entremeando se nos bojos do mistério e equivalente às vezes quase à reza – decerto se propõem mais essas manifestações. Talvez seja correto eu confessar como tem sido que as estórias que apanho diferem entre si no modo de surgir. A Buriti (em Noites do sertão), por exemplo, quase inteira, “assisti”, em 1948, num sonho duas noites repetido. Conversa de Bois (em Sagarana) recebia, em amanhecer de sábado, substituindo-se a penosa versão diversa, apenas também sobre viagem de carro-de-bois e que eu considerava como definitiva ao dormir na sexta. A terceira margem do rio (em Primeiras estórias), veio-me na rua, em inspiração pronta e brusca, tão ‘de fora’ que instintivamente levantei as mãos para pegá-la, como se fora uma bola vindo ao gol e eu o goleiro. Quando ao Grande Sertão: Veredas, forte coisa e comprida demais seria tentar fazer crer como foi ditado, sustentado e protegido - por forças ou corrente muito estranha. ” (Grifo nosso).
Outros depoimentos de Rosa explicitam suas fontes astrais, palavra que ele mesmo usava, em carta ao embaixador Antonio Azeredo da Silveira (1956) ele diz, referindo-se ao Grande Sertão Veredas:

“Eu passei dois anos num túnel, em um subterrâneo, só escrevendo, só escrevendo eternamente. Foi uma experiência transpsíquica, eu me sentia um espírito desencarnado – só lucidez e angústia. ”

Rosa parece claramente concordar com o filósofo americano Walter Russel (Boston, EUA, 19 maio 1871 – Swannanoa, EUA, 19 maio 1963) que diz que ninguém tem ideias, e sim capta as ideias de um plano sutil, para isso é preciso estar “sintonizado” ter uma sintonia fina... 
Como Helena Petrovna Blavatsky ( Ucrânia, 31 de julho de 1831— Londres, 8 de maio de 1891- fundadora da Sociedade Teosófica), que escreveu a ‘Doutrina Secreta’, J. Guimarães Rosa estava familiarizado com estes conceitos, pois na sua biblioteca havia livros clássicos de teosofia tais como “Luz no caminho” de Mabel Collins. As palavras de Annie Besant, ex-presidente da Sociedade Teosófica sobre o livro em questão também facilmente se aplicaria ao Grande Sertão:

“A obra (Luz no Caminho) integra o “Livro dos Preceitos de Ouro”, que contém muitos tratados escritos em diferentes períodos da história do mundo, mas possuem uma característica comum, a de que eles contêm verdade oculta, e têm, consequentemente, que ser estudados de um modo diferente dos livros comuns. A compreensão destes tratados depende da capacidade do leitor, e quando qualquer um deles é publicado no mundo, somente visões distorcidas do ensinamento serão obtidas, se ele for tomado literalmente”.

Finalmente perante esta coleção de exemplos podemos e devemos imaginar um Guimarães Rosa espiritualista transferindo para seus personagens suas viagens filosóficas particulares. O próprio Rosa adverte ao leitor sobre a universalidade do seu livro e dos arquétipos por detrás dos nomes personificados em jagunços, fazendeiros, mulheres da vida, pastores e policiais.
Assim é o ‘Grande Sertão’ Veredas, pode-se perder nas veredas das letras/palavras ou fazer a travessia no espírito que vivifica, plagiando o texto bíblico. Assim sendo deveríamos mudar o ‘Grande Sertão: Veredas’ para as prateleiras de Ocultismo e metafísica.

“O senhor me escute, me escute mais do que estou dizendo” J.G. Rosa

A ESPIRITUALIDADE DE JOÃO GUIMARÃES ROSA

Por: Osvaldo Condé Filho

“Você não sente que é indestrutível? Você não sente, dentro de você, que nada poderá fazer você desaparecer? Pois eu tenho certeza de que, desaparecendo aqui, ressurjo ali adiante”…
Guimarães Rosa

A obra prima o “Grande Sertão: Veredas” tem muitos aspectos e nesse texto gostaríamos de resgatar o aspecto mítico/iniciático na obra do gênio ‘rosiano’.
O ‘Grande Sertão’ já foi analisado sobre os mais diversos aspectos, mas um se sobressai: o valor metafísico/religioso para o qual o próprio Rosa numa escala de um a quatro atribui a pontuação maior (4), para parâmetro do seu tradutor italiano Edoardo Bizzari.
Ora, assim as especulações outras e estudos políticos, antropológicos, linguísticos, poéticos geográficos, psicanalíticos, históricos e literários todos têm seu valor, mas a opinião deliberada e consciente do autor não conta? 
Talvez uma das maiores curiosidades do público comum seja a fonte de inspiração/criatividade de Rosa, de onde surgia a multitude de personagens em borbotões mercuriais.
Segundo as ideias ocultistas/teosóficas existe um repertório de ideias, um “arquivo astral” onde todas as informações estão catalogadas, acreditava J.G. Rosa nisso? Era de lá que vinham tais inspirações? Analisemos as declarações de punho do autor:

“Eu quando escrevo um livro, vou fazendo como se estivesse ‘traduzindo’, de algum alto original, existente alhures, no mundo astral ou no plano das ideias, dos arquétipos, por exemplo. Nunca sei se estou acertando ou falhando, nessa tradução’.”Pag.398- O roteiro de Deus- Heloisa V. de Araújo- Ed. Mandarim – 1967

No Jornal O estado de Minas em edição do dia 26/11/1967 Guimarães Rosa diz:

“No plano da arte e criação – já de si em boa parte subliminar ou supra consciente, entremeando se nos bojos do mistério e equivalente às vezes quase à reza – decerto se propõem mais essas manifestações. Talvez seja correto eu confessar como tem sido que as estórias que apanho diferem entre si no modo de surgir. A Buriti (em Noites do sertão), por exemplo, quase inteira, “assisti”, em 1948, num sonho duas noites repetido. Conversa de Bois (em Sagarana) recebia, em amanhecer de sábado, substituindo-se a penosa versão diversa, apenas também sobre viagem de carro-de-bois e que eu considerava como definitiva ao dormir na sexta. A terceira margem do rio (em Primeiras estórias), veio-me na rua, em inspiração pronta e brusca, tão ‘de fora’ que instintivamente levantei as mãos para pegá-la, como se fora uma bola vindo ao gol e eu o goleiro. Quando ao Grande Sertão: Veredas, forte coisa e comprida demais seria tentar fazer crer como foi ditado, sustentado e protegido – por forças ou corrente muito estranha. ” (Grifo nosso).
Outros depoimentos de Rosa explicitam suas fontes astrais, palavra que ele mesmo usava, em carta ao embaixador Antonio Azeredo da Silveira (1956) ele diz, referindo-se ao Grande Sertão Veredas:

“Eu passei dois anos num túnel, em um subterrâneo, só escrevendo, só escrevendo eternamente. Foi uma experiência transpsíquica, eu me sentia um espírito desencarnado – só lucidez e angústia. ”

Rosa parece claramente concordar com o filósofo americano Walter Russel (Boston, EUA, 19 maio 1871 – Swannanoa, EUA, 19 maio 1963) que diz que ninguém tem ideias, e sim capta as ideias de um plano sutil, para isso é preciso estar “sintonizado” ter uma sintonia fina… 
Como Helena Petrovna Blavatsky ( Ucrânia, 31 de julho de 1831— Londres, 8 de maio de 1891- fundadora da Sociedade Teosófica), que escreveu a ‘Doutrina Secreta’, J. Guimarães Rosa estava familiarizado com estes conceitos, pois na sua biblioteca havia livros clássicos de teosofia tais como “Luz no caminho” de Mabel Collins. As palavras de Annie Besant, ex-presidente da Sociedade Teosófica sobre o livro em questão também facilmente se aplicaria ao Grande Sertão:

“A obra (Luz no Caminho) integra o “Livro dos Preceitos de Ouro”, que contém muitos tratados escritos em diferentes períodos da história do mundo, mas possuem uma característica comum, a de que eles contêm verdade oculta, e têm, consequentemente, que ser estudados de um modo diferente dos livros comuns. A compreensão destes tratados depende da capacidade do leitor, e quando qualquer um deles é publicado no mundo, somente visões distorcidas do ensinamento serão obtidas, se ele for tomado literalmente”.

Finalmente perante esta coleção de exemplos podemos e devemos imaginar um Guimarães Rosa espiritualista transferindo para seus personagens suas viagens filosóficas particulares. O próprio Rosa adverte ao leitor sobre a universalidade do seu livro e dos arquétipos por detrás dos nomes personificados em jagunços, fazendeiros, mulheres da vida, pastores e policiais.
Assim é o ‘Grande Sertão’ Veredas, pode-se perder nas veredas das letras/palavras ou fazer a travessia no espírito que vivifica, plagiando o texto bíblico. Assim sendo deveríamos mudar o ‘Grande Sertão: Veredas’ para as prateleiras de Ocultismo e metafísica.

“O senhor me escute, me escute mais do que estou dizendo” J.G. Rosa

Por: shakyamuni

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